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    Na quarta-feira (25), a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), liberou o retorno da operação de aeronaves modelo Boeing 737-8 MAX no Brasil. Para discutir o assunto, a Sputnik Brasil ouviu o professor Ricardo Balistiero, que acredita que a aeronave tornou-se segura.

    A medida anunciada pela agência brasileira ocorre exatamente uma semana depois da liberação da aeronave para voos comerciais nos Estados Unidos, confirmada em publicação oficial da Agência Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês).

    Os voos com o modelo da Boeing foram suspensos mundo afora após dois acidentes que mataram um total de 346 pessoas. O primeiro, em outubro de 2018, matou 189 pessoas na Indonésia. Já o segundo ocorreu em março do ano seguinte, quando 157 tripulantes da aeronave morreram na Etiópia após a queda do avião. As falhas descobertas na aeronave fizeram com que o modelo fosse banido da aviação comercial até que fossem feitos ajustes de segurança. No Brasil, o modelo estava banido desde março de 2019.

    O economista Ricardo Balistiero, coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia e especialista em aviação comercial, explica que a decisão da ANAC é balizada por um extenso número de testes realizados com a aeronave após os acidentes.

    "Raras vezes na história da aviação uma aeronave passou por tantos testes, após os acidentes graves que vitimaram centenas de pessoas. Então, uma empresa como a Boeing certamente submeteu a aeronave aos ajustes que eram necessários e recomendados, principalmente pelas autoridades aeronáuticas norte-americanas", afirma Balistiero em entrevista à Sputnik Brasil.

    O professor e especialista em aviação comercial ressalta que a FAA é uma agência criteriosa e que o aval do órgão norte-americano é sinal de que a aeronave tornou-se mais segura.

    "A FAA é bastante atuante, bastante rigorosa, e certificou o retorno dessas aeronaves. Portanto, certamente o padrão de segurança dessas aeronaves é muito maior do que era lá atrás", diz.

    Balistiero afirma que foram tomadas medidas como o treinamento de pilotos, recalibração de sensores, controle de voo, cabeamento e diversas exigências da FAA, que garantiu em seu comunicado que a aeronave cumpriu todos os requisitos exigidos para a liberação.

    Visão aérea de aeronaves modelos 737 MAX impossibilitadas de operar, estacionadas em aeroporto nos EUA, em setembro de 2019
    © REUTERS . Lindsey Wasson
    Visão aérea de aeronaves modelos 737 MAX impossibilitadas de operar, estacionadas em aeroporto nos EUA, em setembro de 2019

    O professor recorda ainda que é comum que falhas como as vistas no modelo de aeronave da Boeing demorem para ser descobertas e que o caso do 737 MAX é considerado "emblemático".

    "A Boeing foi obrigada a gastar milhões com a modernização e para promover todos os ajustes estruturais no Boeing 737-800 MAX. Então tenho certeza que todas as exigências da FAA foram atendidas. Hoje, é uma aeronave bastante segura, tão segura quanto todas as outras que nesse momento operam pelo mundo" aponta, ressaltando que o custo gerado pelas falhas anteriores é impossível de ser mensurado, uma vez que centenas de vidas foram perdidas.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Boeing 737 MAX, Boeing, FAA, Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Brasil
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