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    Termômetro para 2022, eleições municipais acontecem a partir do dia 15 de novembro, podendo ir até o dia 29 se houver a possibilidade de segundo turno. Em entrevista à Sputnik Brasil, o cientista político Guilherme Carvalhido analisou o cenário.

    Ao contrário do que tendemos a concluir, os ex-presidentes Lula e Jair Bolsonaro não devem exercer grande influência sobre as eleições municipais deste ano. Quem afirma é o cientista político da Universidade Veiga de Almeida, Guilherme Carvalhido.

    Em entrevista com a Sputnik Brasil sobre o pleito do próximo dia 15, Carvalhido fez uma análise do cenário eleitoral, comentou a importância da COVID-19 na escolha de candidatos, e concluiu dizendo que os dois lados polarizados não estão estabelecendo grandes vitórias, ao menos até agora, segundo as pesquisas.

    O cientista político acredita que a discussão polarizada, a dicotomia entre esquerda e direita, se resume ao público das grandes capitais do país. Enquanto isso, na maior parte das cidades brasileiras, os problemas a serem discutidos são outros. 

    "As eleições deste ano são muito regionalizadas, com problemas específicos, como transporte, saúde e organização urbana. São problemas que não estão ligados à discussão ideológica. No meu entender, tanto a esquerda quanto a extrema direita estão enfraquecidas. O eleitor está mais centralizado, e as pesquisas mostram isso", afirmou.

    O analista político sustenta que há um fortalecimento do centro na política, "um equilíbrio das diferenças que ocorreram em 2018. Mas é fato que os dois lados polarizados não estão estabelecendo grandes vitórias".

    Discussão sobre o aborto ainda causa muita polarização no Brasil
    © Foto / Fernando Frazão / Agência Brasil
    Discussão sobre o aborto ainda causa muita polarização no Brasil
    Guilherme Carvalhido reconhece que o fenômeno da polarização política é um fato recorrente nas eleições brasileiras. Há quatro anos, a concentração de eleitores entre o PT, do ex-presidente Lula, e o PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda se refletia nos grandes centros urbanos. O analista define isso como uma tendência histórica.

    Ao fazer uma previsão sobre o pleito de domingo (15), ele afirmou que "segundo as pesquisas eleitorais nos maiores municípios brasileiros, candidatos de centro, alguns mais um pouco à direita, devem sair vencedores. Mas não radical como a posição de Bolsonaro. Ele não está saindo vitorioso. Assim como a esquerda mais radicalizada também não deve ter vitórias significativas. Quando os extremos não se desenvolvem, encontra-se a centralização do processo político, isso é uma tendência".

    Em setembro, no entanto, um levantamento do portal UOL revelou que em todos os estados do país, 19 partidos diferentes apresentam candidatos a prefeito identificados como bolsonaristas ou impulsionados por aliados próximos do presidente Jair Bolsonaro.

    Questionado sobre a influência do presidente na votação de domingo (15), Guilherme Carvalhido disse que as eleições que devem acontecer nas próximas semanas estão menos polarizadas do que em 2018, quando votamos para presidente.

    "E por que elas estão menos polarizadas? É muito simples. Houve um arrefecimento da discussão, uma vez que o Bolsonaro conseguiu o poder, e já está eleito. Porém, em 2020 houve a pandemia, e com ela veio o aumento da crise econômica", afirmou. 

    Outro ponto relevante que pode influenciar o processo eleitoral é o debate sobre o coronavírus. O analista político acredita que questão do combate à pandemia de COVID-19 será fundamental na percepção do eleitor, assim como as consequências econômicas das políticas de lockdown adotadas por cada município.

    Carvalhido sustenta que "em Belo Horizonte, onde, provavelmente, haverá a vitória de Kalil no primeiro turno, a população de todo país reconheceu que as atitudes do prefeito foram bastante adequadas. Isso é muito presente na eleição de Belo Horizonte e deve acontecer também nos grande municípios".

    Ao comentar sobre o assunto, o cientista político afirmou que "a pandemia será decisiva, sem dúvidas, para analisar cada prefeito. Desta forma, vejo como um elemento fundamental nas eleições de 2020".

    Porém, fez uma ressalva. "É importante levarmos em conta que o país tem também mais de cinco mil municípios com menos de 200 mil eleitores, a maior parte deles no interior, e esse é um Brasil muito importante. Portanto, são dois aspectos fundamentais: como a pandemia foi tratada municipalmente, e o controle econômico, os gastos da prefeitura, isso é o que o eleitor está avaliando".

    A questão dos gastos durante a COVID-19 foi inúmeras vezes levantada pelo presidente em tom acusatório. Uma das bandeiras de Bolsonaro ao longo da pandemia foi a defesa da reabertura da economia e a preocupação com corrupção diante da iminente explosão dos gastos com saúde pública.

    Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro em cerimônia de graduação com a Ordem do Rio Branco, no Palácio Itamaraty, Brasília, 22 de outubro de 2020
    © REUTERS / Adriano Machado
    Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro em cerimônia de graduação com a Ordem do Rio Branco, no Palácio Itamaraty, Brasília, 22 de outubro de 2020

    De um lado, pesquisas avaliam que a conduta do presidente ao longo da COVID-19 foi ruim para cerca de 42% da população. Por outro, o bolsonarismo ainda é um movimento forte. Ao sair do PSL, o presidente expandiu seu nicho eleitoral para partidos como PRTB e PRB, do candidato à prefeito Marcelo Crivella no Rio de Janeiro.

    Para Guilherme Carvalhido, "há um certo julgamento sobre o Bolsonaro nos maiores municípios, principalmente nas capitais. Mas, nos municípios do interior, o que eu vejo são questões e problemas regionais muito específicos. Se o presidente sair enfraquecido desse pleito, sobretudo com relação à força que ele construiu em 2018, ele sairá como perdedor. Mas é preciso ver também o outro lado, como a esquerda sairá após as votações municipais. A esquerda foi mal em 2018. É preciso ver como ela vai sair quando comparada com 2016".

    Guilherme Carvalhido avalia que o lulismo e o bolsonarismo já se consolidaram como forças no processo político brasileiro.

    "O lulismo perdeu força, mas ainda é muito grande no norte e nordeste. Já o bolsonarismo, que apareceu como um foguete em 2018, enfrentou polêmicas em 2019, e isso enfraqueceu o movimento. Então, no sul e no sudeste, o bolsonarismo perdeu muita influência, principalmente em função das polêmicas e pela forma como ele conduziu o país durante a pandemia. As escolhas do presidente prejudicaram a força deste movimento. A economia enfraquecida também não ajuda Bolsonaro", afirmou.

    Ao comentar sobre o desempenho dos partidos progressistas em 2018, o cientista político entende que a prisão de Lula não contribuiu para a imagem da esquerda no país. Da mesma forma, a crise econômica e os problemas com a pandemia minaram o governo de Bolsonaro. Nem por isso Carvalhido rejeita a influência que ambos podem exercer.

    "Lula e Bolsonaro são personagens importantes da política brasileira. Eles devem influenciar o processo eleitoral. Crivella deposita em Bolsonaro a possibilidade de ser eleito. O Lula também é peça chave na campanha do PT, com seus respectivos candidatos. Mas ambos não estão tendo grandes vitórias. São símbolos da política atual, mas o peso deles não está sendo significativo para eleição deste ano", concluiu.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    saúde, economia, influência, eleição, Lula, Bolsonaro, Brasil, COVID-19
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