15:31 29 Outubro 2020
Ouvir Rádio
    Análise
    URL curta
    252
    Nos siga no

    Ministro da Economia, Paulo Guedes promete uma retomada de crescimento econômico em formato "V". O mercado financeiro, por sua vez, acredita que cresceremos 3,5% em 2021. Será possível revertermos os efeitos da crise? O professor Mauro Rochlin falou com exclusividade à Sputnik Brasil sobre as previsões para economia brasileira.

    O Banco Central (BC) divulgou na terça-feira (13) o boletim Focus, com as expectativas de mais de 100 instituições do mercado financeiro para economia nacional em 2020.

    Para avaliar o cenário previsto pelos principais economistas e investidores, a Sputnik Brasil falou com exclusividade com Mauro Rochlin, professor dos cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro (FGV/RJ).

    Neste relatório Focus, especialistas aumentaram a estimativa de inflação para 2020, que passou de 2,12% para 2,47%, a nona alta seguida no indicador.

    Para Mauro Rochlin, "essas previsões cada vez piores acabam contaminando o ambiente de negócios. Isso aumenta o grau de incerteza em termos de decisões econômicas e dificulta demais que a recuperação aconteça".

    Há cerca de um mês, no dia 10 de setembro, a inflação anual do arroz, por exemplo, chegou a 87% e assustou brasileiros nos supermercados. O professor avalia que "não se trata de expectativas pouco consistentes. Estamos falando de uma alta importante, que pesa no bolso dos consumidores".

    ​Em setembro, a inflação oficial do Brasil avançou 0,64%, sendo puxada pela alta nos preços de alimentos e da gasolina. Foi a maior alta para um mês de setembro desde 2003 – quando atingiu 0,78% – e a maior taxa do ano.

    Mauro explicou à Sputnik Brasil o impacto da inflação na economia. Para ele, "alimentos e combustíveis mais caros possuem uma relação direta com a alta do dólar. Dólar mais caro representa commodities mais caras".

    Commodities são produtos vendidos no exterior e no Brasil. Itens de consumo que, portanto, seguem um preço internacional.

    Mauro explica que "com o dólar mais caro, o preço desses produtos aumenta. Estamos falando de soja, arroz e combustível. Eu diria que a principal causa dessa desarrumação no sistema de preços é a alta do dólar, que chega a 40% nos últimos oito meses".

    Produto Interno Bruto (PIB)

    Assim como o boletim divulgado na última terça-feira (13) verificou o aumento da inflação, economistas consultados na publicação apontam para dois cenários quando o assunto é o PIB brasileiro.

    Para este ano, a expectativa é de um tombo do PIB, e a mais recente previsão dos economistas para a retração da economia passou de 5,02% para 5,03%. Esta análise interrompeu uma sequência de quatro semanas de melhora no indicador.

    As boas notícias ficaram para 2021, já que o Focus continua projetando uma alta de 3,5% no Produto Interno Bruto do Brasil. A previsão é compartilhada também pelo ministro da Economia, que afirmou em entrevistas nas últimas semanas que confia em uma retomada de crescimento econômico em formato de "V".

    Em setembro, em entrevista ao Portal G1, Guedes disse que "o Brasil já está voltando [a crescer]". Para ele, "dados mais recentes da economia apontam para uma retomada em forma de 'V', ou seja, mais rápida, após a forte queda gerada pelos efeitos da pandemia".

    Para Mauro Rochlin, "essa expectativa de uma rápida recuperação, avaliada em 3,5% para o ano que vem, acontece porque a base de comparação é muito baixa. Isto é: teremos uma queda muito acentuada neste ano, de 5%, e isso acontece porque tivemos uma parada compulsória da economia em função da COVID-19".

    O professor destaca em sua leitura sobre o cenário econômico as diversas medidas de segurança e isolamento social em razão da pandemia de coronavírus. Segundo ele, tais medidas foram fundamentais na queda da atividade econômica.

    No entanto, destacou Mauro, "a possibilidade de recuperação do PIB é maior e mais rápida para o ano que vem porque estamos esperamos a volta da normalidade. Sobretudo a volta dos serviços e do comércio, que foram segmentos da economia mais afetados".

    Inflação da COVID-19

    Um estudo do economista de Harvard Alberto Cavallo, filho do ex-ministro da Economia da Argentina Domingo Cavallo, detectou inclusive uma espécie de inflação da COVID-19 no mundo. Segundo a pesquisa, o Brasil é o país no qual as famílias mais sentiram a pressão no custo de vida durante a pandemia.

    Cavallo comparou a inflação de produtos que passaram a ser mais consumidos em consequência da crise sanitária, como os alimentos e serviços de entrega, por exemplo, com a variação capturada pelos índices de preços ao consumidor existentes.

    Entre as 18 nações analisadas pelo pesquisador, o Brasil registrou a maior disparidade entre o que ele batizou de inflação da COVID-19 e o indicador oficial.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Mais:

    Preço da carne cai e inflação de fevereiro no Brasil fecha no menor índice desde 2000
    Inflação no Brasil fica em 0,36% em julho puxada por alta na gasolina e energia elétrica, diz IBGE
    Inflação da cesta básica: Abras promove campanha para substituir arroz por macarrão
    Arroz com preço de caviar: o dragão da inflação bafeja novamente?
    Tags:
    Boletim Focus, aumento, PIB, inflação, Brasil, COVID-19, economia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar