15:33 29 Outubro 2020
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    Ao assumir presidência rotativa do bloco europeu, Portugal poderá contribuir para reduzir obstáculos políticos que dificultam implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia, avalia professor de relações internacionais ouvido pela Sputnik.

    Na última segunda-feira (12), durante participação em um seminário em Lisboa, a ministra da Agricultura do Brasil, Tereza Cristina, voltou a defender o acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia, afirmando que o mesmo não representa riscos à preservação ambiental na América do Sul.

    Tereza Cristina viajou para Portugal com o objetivo de pedir ajuda para tentar resgatar o interesse dos europeus pelo histórico acordo, colocado em suspeita por autoridades do velho continente por conta da polêmica gestão do meio ambiente no governo do presidente Jair Bolsonaro.

    A visita se justifica porque Portugal assume, no próximo semestre, a presidência rotativa da União Europeia. Oficialmente, o país também é favorável à implementação do tratado. No entanto, com poderes limitados, o máximo que o governo português poderá fazer, a princípio, será pressionar os demais membros do bloco para agilizar a tramitação do acordo. 

    ​"O peso de Portugal em termos econômicos e financeiros dentro da União Europeia é muito reduzido. Mas a sua capacidade de negociação com Brasil e África é considerável e é levada em consideração em Bruxelas", avalia o professor de relações internacionais Jonuel Gonçalves, da Universidade Federal Fluminense e do Instituto Universitário de Lisboa. 

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista destaca que Portugal ganhou certo prestígio, recentemente, com a gestão da crise desencadeada pela pandemia da COVID-19. Fora isso, é natural, segundo ele, que o país ganhe mais peso, mais poder de influência, ao assumir a presidência do bloco europeu. Entretanto, quando são assuntos considerados vitais para a Europa, a tendência é a de que a presidência da UE faça mais concessões, a fim de evitar críticas e contestações por parte de outros membros. 

    "O fato é que Portugal está interessado em demonstrar que tem uma capacidade de funcionar como ponte entre a Europa, África e América do Sul — no caso, América do Sul é, sobretudo, Brasil. Mas Portugal conta com um apoio importante para a América de língua espanhola, porque a Espanha também está interessada nesse acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Quem não está interessada é a França." 

    ​Para Gonçalves, é muito pouco provável que Lisboa queira se indispor com parceiros de maior peso dentro da UE, como é o caso de Paris. 

    "O que Portugal vai tentar fazer é melhorar o clima, para que, provavelmente, na presidência seguinte, as coisas possam avançar. Isso vai com pequenos passos, na forma como a coisa está", afirma o especialista, opinando que, para ele, os obstáculos atuais são muito mais políticos do que motivados por protecionismo comercial.

    O professor se diz pouco otimista quanto à possibilidade de uma ratificação mais imediata do acordo. De momento, ele argumenta que já seria um ganho significativo se as disputas políticas que envolvem as negociações fossem superadas. 

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    França, Espanha, relações internacionais, Europa, Lisboa, União Europeia, UE, Mercosul, acordo, agricultura, Brasil, Portugal, Tereza Cristina
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