04:23 20 Outubro 2020
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    Coronavírus no Brasil em meados de setembro (42)
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    Ao efetivar o ministro da Saúde Eduardo Pazuello, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) faz um aceno ao seu eleitorado mais fiel e ignora a ciência, avalia cientista político ouvido pela Sputnik Brasil.

    De maneira interina no cargo desde a saída de Nelson Teich no dia 15 de maio, o general Pazuello tomou posse em cerimônia no Palácio do Planalto, na quarta-feira (16). Em discurso, defendeu que a população não fique em casa, para ter acesso a um "tratamento precoce".

    "O aprendizado ao longo da pandemia mostrou que quanto mais cedo atendermos os pacientes, melhor a chance de recuperação. O tratamento precoce salva vidas. Por isso, temos falado dia após dia, 'não fique em casa', receba o diagnóstico clínico do médico. Receba o tratamento precoce", afirmou Pazuello. 

    Bolsonaro, por sua vez, voltou a defender a cloroquina como tratamento da COVID-19 e exibiu uma caixa do medicamento. A cloroquina não tem eficácia para combater o coronavírus, comprovou estudo publicado pela revista Nature

    Pazuello destacou que o "novo normal" incluí "naturalidade em conviver com a doença [COVID-19], assim como outras do nosso cotidiano". O ministro da Saúde também destacou que o governo estuda distribuir cloroquina em um "kit COVID" por meio das Farmácias Populares, informa o G1. 

    Presidente brasileiro Jair Bolsonaro saúda novo ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, Brasil
    © REUTERS / Adriano Machado
    Presidente brasileiro Jair Bolsonaro saúda novo ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, Brasil

    Para Guilherme Carvalhindo, cientista político e professor da Universidade Veiga de Almeida, Bolsonaro efetivou Pazuello porque não conseguiu encontrar um médico ou algum profissional da área da saúde para ocupar a pasta  — e porque o novo ministro acatará as direções do presidente.

    "Do ponto de vista mais técnico, é muito ruim porque mostra, primeiro, uma pouca flexibilidade do presidente em uma área tão importante do serviço público brasileiro, e segundo: mostra também que a comunidade científica, os médicos que têm um compromisso científico forte com esse controle [da pandemia] não estão concordando com as posições que o presidente tem, sobretudo em relação à gerência administrativa da pandemia no Brasil", diz Carvalhindo.

    O analista destaca que os mais de 134 mil mortos de COVID-19 mostram que as políticas públicas do Brasil para enfrentar o coronavírus tiveram um resultado "muito ruim". 

    Ainda de acordo com Carvalhindo, Pazuello também serve para agradar uma parcela mais fiel do eleitorado do presidente, uma parte da população que "não acredita na força e na potência da pandemia".

    O professor da Universidade Veiga de Almeida destaca que Bolsonaro quer "antes de tudo" sustentar uma base de eleitoral em torno de 30% a 35% da população, o suficiente para garantir um segundo turno em 2022. 

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    mortos, saúde, COVID-19, pandemia, Ministério da Saúde, Jair Bolsonaro
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