16:26 27 Outubro 2020
Ouvir Rádio
    Análise
    URL curta
    3153
    Nos siga no

    A suspensão brasileira das importações de carne suína da Alemanha não tem viés ideológico, sendo algo comum e baseado em critérios sanitários, disse especialista em agronegócio à Sputnik Brasil.

    Na segunda-feira (14), o Ministério da Agricultura suspendeu a importação de carne de porco processada da Alemanha, após confirmação de um caso de peste suína africana em um javali morto. 

    Por meio de um comunicado enviado à nação europeia, o ministério pede informações detalhadas às autoridades sanitárias alemãs sobre medidas de biossegurança adotadas em plantas industriais do país. A pasta não informou por quanto tempo vale a medida.

    Segundo José Luiz Tejon, professor da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), a decisão brasileira não é uma espécie de retaliação às críticas que o governo alemão tem feito à política ambiental brasileira e ao desmatamento na Amazônia. 

    "É uma decisão normal e natural, tomada por vários países quando acontece qualquer centelha, qualquer ponto que pode sugerir uma infestação. Nesse caso, ocorreu com um javali, e pelo que temos informação não atingiu nenhum criatório de suínos. Mas é uma atitude tomada por todos", disse e especialista. 

    'Não tem a ver com retaliação'

    Para Tejon, as negociações para a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia são naturalmente complicadas por razões políticas, mas, no caso específico da suspensão das importações, a questão não pode ser associada a alguma "retaliação". 

    "É um procedimento normal e não tem nada a ver com nenhum tipo de retaliação política ou ideológica de nenhum sentido", disse o professor. 

    Além disso, Tejon explica que as preocupações sanitárias e com o bem estar dos animais estão cada vez mais em voga. Por isso, restrições momentâneas à compra de produtos é algo corriqueiro no comércio internacional, podendo ocorrer, por exemplo, no caminho inverso, com outros países suspendendo importações do Brasil. 

    China e Coreia do Sul também suspendem importações

    A China e a Coreia do Sul também suspenderam temporariamente a aquisição de carne suína da Alemanha. A contaminação foi confirmada pelo governo alemão no dia 10 de setembro, em um um javali morto nas proximidades da fronteira com a Polônia. 

    "Dá para ver como está o mundo hoje. Qualquer coisa que pode estar ensejando riscos à saúde animal ou vegetal e as medidas internacionais são extremamente severas", afirmou o especialista. "O que a gente vê é o foco planetário sobre qualquer risco que envolva a segurança dos alimentos e a saudabilidade dos mesmos", acrescentou. 

    Brasil 'importa basicamente tripas'

    Embora a Alemanha seja o maior produtor de proteína animal da Europa, Tejon diz que as importações brasileiras de carne suína do país são ínfimas e não vão afetar a balança comercial alemã. Por outro lado, a suspensão decretada pela China tem um maior peso para o país europeu. 

    "O que o Brasil importa da Alemanha são basicamente tripas e em uma quantidade muito pequena. No ano passado, foram cerca de 3.000 toneladas [de janeiro a agosto desse ano, 1,8 mil toneladas]. O importante mesmo para a Alemanha é a China, que significa 14% de todas as exportações da Alemanha. Portanto, a Alemanha deverá ter por um tempo, creio que curto, algum problema de colocação de produtos no mercado internacional", explicou José Luiz Tejon.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Mais:

    Boas relações políticas ajudariam Brasil caso China corte importações de carne, diz especialista
    Nova rota marítima entre Brasil e China acelera chegada de carnes brasileiras à Ásia
    China pode ampliar importações de carne de frango do Brasil, mesmo com aumento da produção interna
    Tags:
    UE, Mercosul, comércio, javali, importações, China, Alemanha, Brasil, carne suína, carne
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar