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    Coronavírus no Brasil em meados de setembro (42)
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    Em meio à pandemia da COVID-19, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que sete em cada dez brasileiros dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). Para comentar essa relação, a Sputnik Brasil ouviu o médico Sylvio Provenzano, que aponta o agravamento da situação com a pandemia.

    Segundo a pesquisa publicada pelo IBGE no início de setembro, cerca de 150 milhões de brasileiros dependem do SUS para tratamento médico. Apenas 26% da população seria cliente de planos médicos de saúde. Esse número é ainda menor nas regiões Norte e Nordeste, sendo 14,7% e 16,6%, respectivamente.

    Tal situação pode ficar ainda mais desigual devido aos efeitos da pandemia do novo coronavírus, que desencadeou uma crise sanitária e agravou a situação econômica no Brasil, que já vinha restringindo investimento público mesmo em áreas como a saúde.

    Para o médico Sylvio Provenzano, especialista em Saúde Pública, ex-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ), a falta de investimento tem reduzido anualmente a capacidade do SUS e a pandemia, de fato, agravou a situação do atendimento no país.

    "As filas, que já eram imensas, estão infinitas. As pessoas aguardam com a paciência que só o brasileiro aprende a ter desde pequenininho para esperar sua vez. E realmente, o atendimento a 150 milhões de pessoas no sistema público é algo quase que impensável. E o Brasil tem um sistema 'mix', ou seja, mistura o público e o privado. Só que o privado perdeu muita gente, fruto do desemprego que aconteceu devido ao isolamento que é necessário para conter a expansão da COVID-19", aponta o médico em entrevista à Sputnik Brasil.

    Provenzano, que é chefe da Clínica Médica do Hospital dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro, afirma que, mesmo que as verbas aumentassem, não acredita que hoje o SUS seria capaz de atender a todas as pessoas.

    "Por mais verbas que o governo federal destinasse à saúde pública, eu acredito que ainda assim seria insuficiente. E hoje, o governo tem outras preocupações como tentar amortizar o impacto econômico na população, principalmente aqueles de baixa renda. Existe uma série de obrigações que o governo tem que cumprir", comenta.
    Homem usando máscara protetora passa por muro com mensagem sobre a COVID-19, no Rio de Janeiro, Brasil, 2 de setembro e 2020
    © REUTERS / Pilar Olivares
    Homem usando máscara protetora passa por muro com mensagem sobre a COVID-19, no Rio de Janeiro, Brasil, 2 de setembro e 2020

    O médico também critica o que identifica como uma cultura de austeridade econômica no Brasil que privilegia cortes na saúde e na educação.

    "E nós vemos, infelizmente, com muita tristeza, que aqui no Brasil existe uma cultura por parte dos governantes que, quando temos que reduzir [investimentos] a primeira coisa que vem na cabeça é a educação – o que na minha cabeça é um erro crasso – e logo em segundo lugar a saúde. Ou seja, um erro agravando o outro", avalia.

    O médico também aproveita para reforçar a necessidade de que continue a vigilância por parte da população para conter a propagação da COVID-19 no Brasil, lavando as mãos, evitando aglomerações e utilizando máscaras. Segundo os dados mais recentes do consórcio de veículos de imprensa, que compila informações das secretarias estaduais de saúde, o país tem atualmente mais de 132 mil mortos por COVID-19 e cerca de 4,3 milhões de casos confirmados da doença.

    "Cabe a nós tomarmos medidas para que não sejamos os próximos a engrossar essa lista de pessoas que precisam do SUS porque pegamos a COVID-19. Então, que a gente tome os cuidados, porque a responsabilidade é de cada um de nós, é individual. É para conosco, para com nossos familiares e amigos, e para com a sociedade de modo geral. Cuidem-se", conclui.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    COVID-19, IBGE, SUS, Brasil
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