14:23 27 Setembro 2020
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    O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, viu sua popularidade crescer em pesquisas recentes e deve voltar a atenção para as eleições municipais deste ano. Sobre isso, a Sputnik Brasil ouviu o cientista político Rodrigo Prando, que ressalta a falta de um partido para Bolsonaro exercer sua influência.

    Bolsonaro alcançou um índice de popularidade de 37%, inédito em seu mandato, conforme uma pesquisa publicada pelo jornal Folha de São Paulo na quinta-feira (13). Ao mesmo tempo, o presidente viu sua rejeição cair dez pontos percentuais.

    Apesar de o índice ser um dos piores comparados a presidentes anteriores na mesma altura do mandato, a notícia serviu como uma injeção de ânimo entre os assessores do presidente, que aconselham Bolsonaro a focar agora nas eleições municipais deste ano.

    Para o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, o aumento da popularidade está ligado não só ao auxílio emergencial de R$ 600,00 concedido pelo governo após pressão do Congresso Nacional, mas também ao distanciamento de Bolsonaro de polêmicas recentemente.

    "Dessa forma, o presidente Bolsonaro tem o auxílio emergencial, em primeiro lugar, e o fato de ele ter moderado sua conduta. Outro aspecto que nós podemos colocar também é a saída de [Abraham] Weintraub como ministro da Educação, o que de certa maneira distensionou a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF)", afirma o professor em entrevista à Sputnik Brasil.

    Além disso, Prando acrescenta como elementos do aumento da popularidade do presidente também a falta de uma oposição efetiva e a moderação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que estaria sendo tutelado pelo vice-presidente Hamilton Mourão a fim de diminuir tensões criadas pela gestão da pasta.

    Eleições municipais atípicas serão teste para o bolsonarismo

    Prando destaca que mesmo nesse quadro de melhora da popularidade, Bolsonaro terá dificuldades para influenciar as eleições municipais. O cientista político avalia a dificuldade de Bolsonaro e de seus apoiadores de criarem um novo partido, o Aliança pelo Brasil, como um indicador dessa situação. O presidente Bolsonaro abandou o partido pelo qual se elegeu, o PSL, ainda em novembro de 2019.

    "A posição do presidente nas eleições municipais seria de um apoio quase que individual, ou seja, o presidente poderia apoiar individualmente alguns candidatos, mas sem que isso pudesse ser mensurado como, por exemplo, o impacto da presença do presidente em um partido como o PSL ou o Aliança pelo Brasil", aponta Prando.
    O presidente Jair Bolsonaro acompanhado do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e do fundador da Havan, Luciano Hang, durante 1ª Convenção Nacional do partido Aliança pelo Brasil, realizada no Royal Tulip, em Brasília
    © Folhapress / Pedro Ladeira
    O presidente Jair Bolsonaro acompanhado do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e do fundador da Havan, Luciano Hang, durante 1ª Convenção Nacional do partido Aliança pelo Brasil, realizada no Royal Tulip, em Brasília

    O cientista político ressalta que as eleições municipais podem servir como uma espécie de prévia das eleições presidenciais, mas que ainda é cedo para avaliar como Bolsonaro poderá influenciar o cenário sem um partido constituído.

    "Até pode ser que as eleições municipais sirvam de laboratório ou permitam projetar cenários para eleição à Presidência da República em 2022. A grande dificuldade de fazer isso é que o presidente, até o momento, embora negociando, não esteja filiado a nenhum partido político", aponta, sem descartar a possibilidade de que Bolsonaro apoie candidatos à direita, ou mesmo de seu antigo partido, o PSL.
    Candidato à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), vota no Rio de Janeiro junto ao seu filho Flávio, em 7 de outubro de 2018
    © AP Photo / Silvia Izquierdo
    Candidato à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), vota no Rio de Janeiro junto ao seu filho Flávio, em 7 de outubro de 2018

    Para o professor do Mackenzie, as eleições de 2020 terão um caráter atípico, que somado ao fato de o presidente Bolsonaro continuar sem partido, torna os resultados ainda mais imprevisíveis. Prando destaca que Bolsonaro precisaria da máquina partidária para exercer maior influência sobre o pleito, mas que se pode esperar a presença do bolsonarismo nas eleições de outras formas.

    "Nós teremos que aguardar, com paciência, para vermos como é que se desenvolve a campanha, que vai ser uma campanha municipal atípica. Geralmente as campanhas municipais têm muito contato do candidato a prefeito ou do candidato a vereador com o seu eleitor – apertando a mão, tirando fotos, pegando criança no colo – e tudo isso fica interditado por conta da necessidade do distanciamento social.  É, por certo, uma eleição bastante distinta daquelas que nós vimos nos últimos anos, por conta da pandemia. Então nós temos que aguardar para avaliar o impacto da força do bolsonarismo nas eleições municipais", conclui.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    COVID-19, Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro, Universidade Presbiteriana Mackenzie
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