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    Coronavírus no mundo em meados de agosto (58)
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    Ana Gligic, uma famosa virologista sérvia, diz que a primeira vacina contra o coronavírus do mundo registrada na Rússia é eficaz e segura, e não há razão para duvidar da qualidade de seus testes.

    Ana Gligic, uma das mais famosas virologistas sérvias e mundiais, diz não duvidar da qualificação e experiência dos biólogos moleculares russos, tendo em conta sua experiência em Moscou e nos EUA, em referência à vacina russa Sputnik V.

    A Sputnik V utiliza um vetor do adenovírus humano morto contendo a proteína S dos espinhos do SARS-CoV-2 e cria uma resposta imunológica após ser introduzido no corpo. O adenovírus normalmente causa infecções virais respiratórias agudas.

    Segundo disse a especialista em entrevista dada à Sputnik Sérvia, é muito importante que a vacina russa esteja utilizando um adenovírus "morto" como portador, pois uma forma viva poderia levar a complicações após a vacinação.

    Considerando que o adenovírus é fraco, ela diz ser importante que, "como portador, o adenovírus ajuda a introduzir no corpo o próprio componente do coronavírus que estimulará a produção de anticorpos".

    Ana Gligic não está preocupada com o pequeno número de voluntários que na Rússia participaram do teste da Sputnik V, 38 pessoas, dizendo que é mais importante "registrar a porcentagem de consequências" e que "uma grande amostragem dá a probabilidade de um grande erro".

    Apesar desse número, diz a virologista, Gligic acredita que o desenvolvimento da vacina do coronavírus é uma continuação do trabalho sobre a vacina contra a SARS, que foi congelado devido ao recuo da epidemia.

    Gligic explica que, ao contrário das vacinas normais, a vacina russa contra o coronavírus utiliza um vírus portador, ou seja, é uma vacina geneticamente modificada.

    Vacina russa contra novo coronavírus SARS-CoV-2 elaborada pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya
    © Sputnik /
    Vacina russa contra novo coronavírus SARS-CoV-2 elaborada pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya

    "As vacinas vivas são mais eficazes, mas com elas há o risco de que um vírus enfraquecido possa desencadear doenças em um corpo enfraquecido. Estas vacinas requerem testes laboratoriais extremamente rigorosos e testes extensivos em humanos. Há uma fase, durante seu processo de desenvolvimento, na qual as pessoas testadas são infectadas com o vírus para ver se são produzidos os anticorpos certos, que não causam a doença", explica à Sputnik.

    Desenvolvimento da vacina

    Segundo Gligic, normalmente uma vacina viva leva pelo menos dois ou três anos para testar, enquanto vacinas contra o novo coronavírus como a russa estão sendo desenvolvidas rapidamente.

    "É fácil de produzir. Basta inserir os componentes do vírus, certificar-se que ele funciona, e depois injetá-lo em animais", afirma Ana Gligic. "Se eles desenvolverem imunidade, você pode tentar injetar a vacina em pessoas. Para os biólogos moleculares este é um procedimento rotineiro", diz Gligic.

    Segundo ela, a Rússia é bastante capaz de produzir 200 milhões de doses até o final do ano.

    "Trabalhei na Rússia em 1976, estive em inúmeros congressos. Os especialistas russos são incríveis", conclui a virologista sérvia, referindo que ela própria aceitaria vacinação.

    Gligic chefiou o laboratório do Instituto de Virologia, Vacinas e Soros em Belgrado, Iugoslávia, durante a epidemia de varíola no país em 1972, liderou uma equipe de especialistas que conseguiu isolar o vírus e esteve fortemente envolvida na luta contra o vírus de Marburg, um vírus ainda mais perigoso, que também conseguiu isolar.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    EUA, URSS, Sputnik V, COVID-19, Sputnik, Sputnik Sérvia, Sérvia, Rússia
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