11:34 05 Dezembro 2020
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    Brasil na pandemia do coronavírus em meados de agosto (62)
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    A aceleração do uso de energias renováveis em razão da pandemia do coronavírus, fenômeno apontado por consultoria internacional, é algo "controverso", disse à Sputnik Brasil especialista no setor. 

    Segundo pesquisa da PwC, a pandemia da COVID-19 foi responsável por aumentar o desenvolvimento das fontes renováveis nos modelos de negócios das empresas de energia, o que pode levar o setor atingir a meta de emissão zero de carbono até 2050.

    Além disso, relatório do Instituto de Economia Energética e Análise Financeira (IEEFA, pela sigla em inglês), aponta que, mesmo com a crise, os custos da produção de energia renovável continuarão sendo reduzidos. No Brasil, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) avalia que a pandemia diminuiu um pouco o ritmo de crescimento, mas a aceleração ainda é exponencial.

    Para o engenheiro químico Carlos Arentz, professor de planejamento energético e recursos renováveis da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), "fazer uma correlação entre o aumento do uso de energias renováveis devido a efeitos da COVID-19 é um pouco controverso considerando a opinião de outras consultorias". 

    Em sua análise, o setor continua crescendo apesar da crise gerada pela pandemia, e não em razão dela. 

    "O uso de energia renovável é uma tendência que veio para ficar, devido fundamentalmente à questão da redução das mudanças climáticas, da emissão de gases de efeito estufa e ao barateamento dessas formas de geração de energia, tanto solar como eólica, o que têm tornado essa energia renovável competitiva frente às formas de energia tradicionais", disse o especialista. 

    Brasil é 'pródigo' em energia renovável

    Segundo ele, em alguns lugares do mundo o setor renovável pode até possuir "vantagens em termos econômicos", fator que tem "favorecido a sua utilização" globalmente. 

    Para o professor, o Brasil é um país "pródigo" em utilizar fontes renováveis em sua matriz energética, o que deve continuar no futuro. Ele ressalta que as energias solar e eólica estão ganhando espaço no setor de energia renovável, no qual as hidrelétricas sempre contribuíram fortemente. 

    "O Brasil já é há muito tempo pródigo no uso de energias renováveis, mesmo antes de haver essa ênfase na questão. O Brasil tem um grande parque de geração de energia elétrica usando água. Nos últimos anos, tem havido um grande incentivo, devido à disponibilidade de energia solar e eólica no país, ao aumento do uso de energia renovável", afirmou Arentz. 

    O especialista cita plano decenal de expansão de energia, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão de planejamento do setor no Brasil, apontando que "a geração de energia solar e eólica crescerá muito nos próximos anos". 

    Segurança de fornecimento

    Sobre o desenvolvimento de novos modelos de negócios pelas empresas de energia, direcionando suas atenções às energias renováveis, ele diz que a tendência já vinha "sendo estabelecida", mas admite que ela "talvez" esteja sendo "acelerada ou incentivada pelo momento que a gente está vivendo". 

    "O cliente está se preocupando com a garantia do suprimento, uma vez que está havendo a quarentena. Isso está gerando um modelo de negócios no qual o empreendedor não vai se preocupar em gerar energia hidráulica e solar mais barata, vai se preocupar em gerar um pacote de energia que dê segurança para o cliente no longo prazo e, ao mesmo tempo, ofereça uma energia que seja sustentável em dimensões como redução de emissões de gases de efeito estufa e até redução de impactos ambientais", disse o engenheiro químico Carlos Arentz.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Brasil na pandemia do coronavírus em meados de agosto (62)

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    Tags:
    energia eólica, energias renováveis, hidrelétrica, energia solar, energia, COVID-19, pandemia, Brasil
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