11:16 05 Dezembro 2020
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    Em meio à crise econômica decorrente da pandemia do novo coronavírus, o Banco Central (BC) diminuiu nesta quarta-feira (5) os juros básicos da economia pela nona vez seguida.

    Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 2% ao ano, com corte de 0,25% no valor anterior.

    Em nota, o Copom informou não descartar futuros ajustes nos juros básicos, mas ressaltou que as próximas mudanças, caso ocorram, serão graduais e dependerão da situação das contas públicas.

    "O Copom entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno", escreveu o órgão.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Álvaro Villa, economista da empresa Messem Investimentos, disse que a taxa de juros baixa faz com que os investidores tenham que buscar "medidas mais sofisticadas".

    "Essa taxa de 2% representa por si só uma maior dificuldade para o investidor obter uma rentabilidade alta, ou seja, acumular capital a uma taxa alta. Se ele quiser ver esse dinheiro rendendo, ou seja, esse dinheiro trabalhando para ele, ele vai ter que buscar alternativas mais sofisticadas e buscar também tomar riscos. Isso infere muitas vezes também em investir não só em ativos financeiros, como artigos físicos. Ou seja, você acaba aumentando a liquidez do mercado", disse.

    Villa diz que com essas medidas o Banco Central busca estimular a economia real.

    "Para o investidor é pior, mas para a sociedade é melhor. Evidentemente que se a taxa do governo vai para baixo, que serve de referência para toda a economia, a taxa para outras aplicações, para os outros investimentos, também reduz. Ou seja, você consegue captar crédito para fazer um investimento a uma taxa menor. Então o que o Banco Central busca fazer com esse movimento é estimular a economia real, não apenas a bolsa e tudo mais", afirmou.

    O economista acredita que dificilmente veremos uma escalada de aumentos de juros no curto prazo.

    "A expectativa de juros para o longo prazo deve cair. Hoje a gente tem uma situação de desemprego estruturalmente alto. Para a gente voltar para o patamar que a gente estava em 2019, que já era um patamar ruim, a nossa expectativa é que isso só se normalize por 2025, em termos de emprego. Ou seja, a renda da população vai cair. Uma renda mais baixa, infere em um consumo menor, menor demanda, preços menores", completou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    economistas, consumo, taxa de juros, Selic, economia, Brasil
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