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    Vizinhos de fronteira, Brasil e Argentina veem parceria comercial de longa data se deteriorar ainda mais em meio à pandemia do novo coronavírus.

    Uma reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo mostrou que ao menos sete empresas do setor automotivo, principal elemento da relação bilateral, anunciaram que iriam suspender a produção na Argentina e se concentrar somente no Brasil.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Antônio Jorge Martins, coordenador do Curso de MBA em Gestão Estratégica de Empresas da Cadeia Automotiva da Fundação Getúlio Vargas (FGV), atribui a queda da parceria entre Brasil e Argentina no setor automotivo à pandemia da COVID-19.

    "Com a pandemia existente houve uma redução significativa do poder de compra da sociedade como um todo, até pela queda do PIB", afirmou.

    Segundo Antônio Jorge Martins, a demora na recuperação econômica tanto no Brasil quanto na Argentina demorará a ocorrer.

    "A única forma que eu visualizo de reverter esse quadro negativo hoje existente entre as relações comerciais seria no sentido de efetivamente fortalecer o mercado como um todo, tanto do Brasil quanto da Argentina, de tal forma a tornar-se necessário e até indispensável esse fortalecimento dos elos comerciais entre os países. Isso na minha opinião vai ser muito difícil acontecer nos próximos anos, até porque a recuperação de uma pandemia demora", disse.

    Antônio Jorge Martins diz que é de se esperar que o setor automotivo volte a ficar aquecido em alguns anos e isso pode levar a uma retomada nas relações comerciais entre os dois países, mas dificilmente será possível observar essa retomada no curto prazo.

    "Nos países como o Brasil [...] a tendência é de que haja uma continuidade durante alguns anos do crescimento desse mercado [automotivo]. Isso, dependendo dos níveis que venham exatamente a se fortalecer nos próximos anos, pode ser que gere efetivamente um retorno a esse relacionamento comercial entre Brasil e Argentina. Mais uma vez eu reitero que vai ser muito difícil disso acontecer no curto prazo", completou Antônio Jorge Martins.

    Já para Ricardo Balistiero, economista, coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, é importante observar o crescimento da influência chinesa na balança comercial argentina.

    "Em economia, assim como em política, não se admite vácuo, então certamente isso que está se deteriorando hoje do ponto de vista das relações comerciais e principalmente das cadeias produtivas da região vai acabar sendo preenchido de alguma forma por outro tipo de parceiro comercial. Como, por exemplo, a China que nesse momento se aproxima muito forte da Argentina", disse à Sputnik Brasil.

    Para Balistiero questões ideológicas têm prejudicado o aprofundamento da relação entre China e Brasil e propiciam uma maior aproximação comercial entre os argentinos e chineses.

    "[A China] tem vários interesses na América do Sul e hoje encontra na Argentina talvez um país que possibilite um alinhamento comercial melhor do que o Brasil. Uma vez que o Brasil vive às turras por essa questão ideológica que acaba prejudicando muito as relações com o nosso principal parceiro comercial que é a China", opinou.

    Em abril deste ano, uma reportagem publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo mostrou que a China passou o Brasil pela primeira vez como maior parceiro comercial da Argentina. O país vizinho aumentou em 50,6% as exportações para o mercado chinês em relação ao ano anterior. Já para o mercado brasileiro as exportações argentinas caíram 57,3% no período.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    indústria automobilística, indústria brasileira, indústria nacional, indústria argentina, comércio bilateral, América do Sul, China, economia, Argentina, Brasil
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