23:11 25 Novembro 2020
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    O desenvolvimento do míssil de propulsão nuclear russo Burevestnik tem causado desconforto nos EUA e o tema foi discutido no Senado norte-americano.

    O enviado especial do presidente dos EUA para o controle de armas, Marshall Billingslea, esteve recentemente no Senado norte-americano. A reunião, no Comitê de Relações Exteriores do Senado, era dedicada à possível designação de Billingslea como subsecretário de Estado para controle de armas e assuntos de segurança internacional, mas a criação do míssil de cruzeiro intercontinental movido a energia nuclear Burevestnik (SSC-X-9 Skyfall, na designação da OTAN) foi um dos temas do encontro.

    "Francamente, não acreditamos que essas armas devam existir", defendeu Billingslea, de acordo com o jornal The Moscow Times. "Por que você precisa de um míssil de cruzeiro movido a energia nuclear com ogiva nuclear? Isso não passa de um Chernobyl voador. Pense na nuvem radioativa que ele gerará à medida que voa pelos céus. Não há bom argumento lógico para ter esse tipo de sistemas apocalítico", garantiu Billingslea ao Comitê de Relações Exteriores do Senado.

    Hipocrisia e 'más intenções'

    Curiosamente, os EUA desenvolveram um projeto semelhante na década de 1960. O projeto Plutão previa a criação de um enorme míssil de cruzeiro nuclear, conhecido como SLAM. Esse míssil destruiria tudo em seu caminho, graças à sua onda de choque. SLAM também deixaria uma nuvem radioativa que contaminaria tudo em seu caminho. Ocorreram testes bem-sucedidos em 1961 e 1964, mas o projeto foi abandonado.

    Não por questões ambientais, mas porque a tecnologia dos mísseis balísticos intercontinentais parecia menos complicada e mais acessível. A Rússia, por sua vez, leva em consideração a possível rendição desse tipo de míssil e pensa mais na segurança do país.

    O Burevestnik russo voará a baixas altitudes, será impossível de interceptar e terá um alcance global porque a energia nuclear permite cobrir qualquer distância. O projeto Burevestnik está atualmente em fase de testes e os Estados Unidos já estão 10 a 15 anos atrás da Rússia em termos dessa tecnologia, afirmou à Sputnik o diretor do Centro de Análise do Comércio Mundial de Armas, Igor Korotchenko.

    De acordo com Korotchenko, as declarações norte-americanas realmente têm más intenções, porque estão tentando atrasar o desenvolvimento desse tipo de míssil na Rússia.

    Lançamento de míssil de cruzeiro Burevestnik
    © Sputnik / Ministério da Defesa da Rússia
    Lançamento de míssil de cruzeiro Burevestnik

    Tecnologia espacial

    O programa Burevestnik também poderia trazer mais benefícios para a Rússia. As tecnologias usadas podem ser aplicadas em outras áreas, como na criação de aeronaves capazes de voar para o espaço.

    O desenvolvimento de um reator poderoso e, ao mesmo tempo, compacto pode ser aplicado rapidamente na criação de um motor turbojato para aeronaves de alcance ilimitado. Isso não produzirá contaminação radioativa. Hoje, nenhum país do mundo, exceto a Rússia, tem essa tecnologia.

    Apesar dos queixumes dos EUA, não faz sentido que a Rússia abandone o projeto, especialmente considerando que os norte-americanos recentemente saíram de uma série de acordos sobre o controle da proliferação de diferentes tipos de armas.

    Mesmo que o novo míssil intercontinental russo não seja usado para fins civis, seu uso como arma servirá para preservar a dissuasão nuclear no mundo. É sobre a segurança nacional da Federação da Rússia que se trata e isso é a coisa mais importante.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Rússia, EUA, Senado dos EUA, Burevestnik, míssil nuclear
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