23:21 11 Agosto 2020
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    O governo brasileiro incluiu uma série de equipamentos de energia solar em uma lista de bens de capital que tem os impostos de importação zerados até o final de 2021.

    O objetivo da medida é impulsionar os negócios, tendo em vista que a desvalorização do real em relação ao dólar aumenta os custos de componentes para geração com a tecnologia, que depende principalmente de importações da China.

    A Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério da Economia, acrescentou uma dezena de módulos fotovoltaicos para energia solar, além de inversores e outros acessórios, como componentes dos chamados "trackers", que permitem que os painéis de uma usina acompanhem o movimento do sol ao longo do dia para maximizar a produção, à lista dos chamados "ex-tarifários".

    Ao comentar a isenção de impostos de importação para produtos destinados ao uso de equipamentos para aproveitamento de energia solar, o engenheiro e diretor-executivo da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), Rodrigo Lopes Sauaia, explicou à Sputnik Brasil que a redução tributária é dada por um período limitado de tempo e é uma solicitação feita diretamente por uma empresa, que precisa ser devidamente justificada, avaliada e decidida pelo Ministério da Economia.

    De acordo com ele, "essa redução não é uma redução para todo e qualquer equipamento do setor de energia solar fotovoltaica, é apenas aqueles equipamentos que estão listados na portaria, então ela abrange um número restrito e limitado de componentes".

    Com relação ao impacto que essa medida tem para o mercado e para o setor, especialista declarou que, pela ótica da cadeia produtiva dos fabricantes nacionais de equipamentos e componentes fotovoltaicos, a "medida foi mal recebida".

    "Esses fabricantes de equipamentos e componentes produzem equipamentos aqui no Brasil, e uma redução de imposto de importação efetivamente aumenta a competitividade de atratividade de equipamentos que vêm de fora e que competem, portanto, com esses equipamentos nacionais", disse o engenheiro.

    "Por outro lado, pela ótica de empresas que fazem uso desses equipamentos, as empresas que fizeram o pedido de ex-tarifários, ou efetivamente os seus clientes que fazem uso dessa tecnologia em seus projetos e sistemas finais, para esses segmentos e consumidores a visão foi positiva. Foi uma visão de que isso efetivamente pode ajudar a reduzir custos para os equipamentos do setor e para os sistemas que vão ser instalados com esses equipamentos", acrescentou.

    O especialista destacou que existe uma "oportunidade muito importante da energia solar fotovoltaica contribuir como parte da solução para a recuperação econômica e como uma alavanca capaz de atrair mais investimentos, gerar mais empregos, e inclusive ajudar com a arrecadação a fortalecer o caixa do governo federal, dos estados e municípios".

    Segundo ele, a energia solar fotovoltaica ajuda o enfrentamento dos dois grandes desafios globais da atualidade: a pandemia da COVID-19 e as mudanças climáticas.

    "A gente reconhece a energia solar fotovoltaica como uma grande ferramenta, a ABSOLAR tem trabalhado junto ao governo federal, aos estados brasileiros e também os principais municípios do país, para que a gente consiga aproveitar a energia solar fotovoltaica nesse momento de recuperação da economia brasileira, destravar o seu potencial de aquecimento da nossa economia, de geração de oportunidades para os brasileiros", completou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    COVID-19, economia, mudança climática, energia solar, energia
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