09:21 10 Agosto 2020
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    O grande cerco militar aeronaval que o Pentágono está construindo no arco que vai do Japão à Índia, do oceano Pacífico ao Índico, está fazendo com que a China estreite laços continentais com a Rússia e o Irã.

    Com isso, o gigante asiático espera encontrar uma alternativa ao longo do estreito de Malaca entre a Malásia e Singapura para o comércio e suprimento de hidrocarbonetos.

    Por um lado, Pequim moderniza e amplia de forma vertiginosa sua frota naval para enfrentar os riscos no mar do Sul da China. Agora, os chineses pretendem cobrir suas regiões costeiras através da aliança energética com a Rússia, através do gasoduto Força da Sibéria construído entre a Gazprom russa e a Corporação Nacional de Petróleo da China.

    O duto, inaugurado em 2019, percorre três mil quilômetros através da Sibéria e é capaz de transportar 38 bilhões de metros cúbicos de gás ao ano, garantindo à China o fornecimento terrestre, uma via que não pode ser bloqueada com a facilidade dos transportes marítimos.

    De acordo com análises do The New York Times, o acordo firmado com o Irã é "uma nova associação econômica e de segurança que pavimentará o caminho para bilhões de dólares em investimentos chineses no Estado do Oriente Médio".

    Para o Irã, Pequim e Teerã são sócios estratégicos há tempos, que "reforçaram suas estratégias no cenário internacional para vencer o imperialismo norte-americano".

    O jornal norte-americano considera que os laços militares "incluem o treinamento conjunto, transferência de inteligência e pesquisa, bem como desenvolvimentos conjuntos para futuros programas de armas".

    No cenário econômico, o acordo "abriria o caminho para bilhões de dólares de investimentos chineses na energia e outros setores, minando os esforços da administração Trump para isolar o governo iraniano".

    Em síntese, o acordo entre ambas as nações "representa um grande golpe à política agressiva da administração Trump".

    O analista Pepe Escobar estima no Asia Times que dois pontos do acordo seriam vitais do ponto de vista geopolítico.

    "O sétimo ponto define o alcance da associação dentro da visão da Nova Rota da Seda de integração da Eurásia", pelo qual ambas as partes "ampliaram a cooperação e os investimentos mútuos em diversas áreas, incluindo o transporte, estrada de ferro, portos, energia, indústria, comércio e serviços".

    Para Escobar, o acordo assegura o fornecimento de petróleo e gás à China, "evitando o perigoso cenário do estreito de Malaca, com um desconto médio de 18% e efetuando o pagamento sem utilizar o dólar norte-americano".

    Já o décimo ponto faz referência à participação do Irã no Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB, na sigla em inglês), através do qual prossegue "um investimento chinês de US$ 400 bilhões [R$ 2,1 trilhões] em energia e infraestrutura do Irã nos próximos 25 anos".

    O investimento estará focado na renovação da indústria petrolífera e na construção de uma estrada de ferro de 900 quilômetros entre Teerã e Mashhad, a segunda cidade e centro de peregrinação próximo das fronteiras com Afeganistão e Turcomenistão.

    Vale recordar a respeito da Eurásia, que Zbigniew Brzezinski em seu livro "O grande tabuleiro de xadrez", afirmou que a região era o centro do poder global e que não deveria surgir nenhuma potência capaz de questionar o domínio dos EUA na área. Se algo assim ocorresse, o poder global da superpotência seria fatalmente corroído.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    economia, acordo, EUA, crise política, política, Irã, China
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