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    Pandemia do coronavírus no Brasil no início de julho (50)
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    O Brasil poderá ter mais de 1.640 mortes diárias por COVID-19 e deverá manter a média de mais de 48 mil novos casos da doença por dia nas próximas semanas.

    Tais previsões são resultantes de um modelo matemático baseado em inteligência artificial desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

    ​O sistema foi criado por membros do Grupo de Inteligência Artificial Aplicado à Bioinformática do Programa de Pós-Graduação em Bioinformática da UFPR. Ele utiliza algoritmos evolutivos, uma das vertentes da área da inteligência artificial, para analisar os dados públicos e ajustar as curvas teóricas, indicando a quantidade esperada de casos ou óbitos diários para os próximos 14 dias.

    "A integração das informações de casos diários notificados e de mortes diárias, fornecidas pelo Ministério da Saúde, resulta neste modelo matemático de previsão que representa o comportamento da realidade relativo às duas variáveis. O sistema agrega a previsão da semana atual, feita com os dados atualizados — com base nos resultados disponíveis até o momento da análise —, e da semana anterior, referente à previsão realizada com os dados de até uma semana antes da última análise", explica nota da UFPR enviada à Sputnik Brasil. "As curvas, por sua vez, apresentam o número de casos e de mortes no Brasil desde o início da pandemia. A previsão é realizada com o uso do modelo baseado em ajustes de curvas e algoritmos genéticos." 

    ​A iniciativa deverá servir de auxílio para as autoridades na tomada de decisões e na definição de medidas preventivas relacionadas ao surto do novo coronavírus, conforme afirmam os envolvidos no projeto.

    "Nós esperamos que sejam tomadas medidas de controle efetivas que permitam que o número [de casos e mortes] seja o menor possível. Mas a nossa meta é acompanhar mais as tendências do que fazer previsões exatas de cenários futuros. Observando a tendência, a gente vai saber qual que é a melhor coisa que a gente pode fazer", afirma em entrevista à Sputnik Brasil o cientista Roberto Tadeu Raittz, professor de Bioinformática da Universidade Federal do Paraná e coordenador do projeto.

    De acordo com o especialista, analisando essencialmente dados matemáticos, é possível observar que, em países onde a pandemia foi controlada, "medidas bastante radicais foram tomadas", ao contrário do Brasil, que ainda nem chegou ao seu "pior momento".

    "Eu acho que precisa, mais do que nunca, que todos fiquem atentos para que a situação não possa ficar pior do que aquilo que a gente já tem no horizonte."

    Raittz explica que já é possível perceber achatamentos em alguns lugares, como no estado do Amazonas. Mas é importante redobrar os cuidados, uma vez que, "em alguns países onde os números já estavam diminuindo, eles voltaram a crescer" após a adoção de políticas de flexibilização do isolamento. 

    "Acho importante a gente tentar evitar que isso aconteça aqui", destaca o professor.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Pandemia do coronavírus no Brasil no início de julho (50)

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    Tags:
    doença, saúde, estudo, ciência, casos, mortes, inteligência artificial, novo coronavírus, pandemia, surto, COVID-19, Brasil
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