08:30 28 Novembro 2020
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    A sociedade norte-americana é cada vez mais desigual, e vários de seus indicadores socioeconômicos parecem cada vez mais distantes dos bons resultados obtidos pelos países europeus de alta renda.

    É tido frequentemente que os EUA é um país de oportunidades. Isto foi verdade durante o início do século XX, quando muitos europeus estavam fugindo da pobreza e das guerras em busca de uma prosperidade mais acessível do outro lado do oceano Atlântico, bem como durante as primeiras décadas pós-Grande Depressão, quando o crescimento econômico foi combinado com uma igualização dos rendimentos.

    No entanto, a realidade atual do país norte-americano parece ser bastante diferente, com uma análise de vários índices de qualidade de vida mostrando como os índices de bem-estar têm ficado atrás de várias nações europeias.

    Uma recente análise de indicadores sociais e econômicos, feita pelo jornalista norte-americano David Leonhardt para o jornal The New York Times, mostra como o país governado por Donald Trump foi incapaz de traduzir o crescimento econômico das últimas três décadas em melhoria da qualidade de vida de sua classe trabalhadora ou na redução do abismo entre os setores mais ricos e menos ricos.

    • Expectativa de vida

    Segundo o artigo, a expectativa média de vida dos norte-americanos aumentou em apenas três anos desde 1990. Dados de 2018 colocam a expectativa de vida nos EUA em cerca de 78 anos, um valor que estagnou em comparação com países como Japão, Itália, Alemanha, Coreia do Sul ou até mesmo a Grécia, que já ultrapassaram a barreira dos 80 anos e continuam crescendo.

    Pessoas usando máscaras faciais protetoras para ajudar a conter a propagação do coronavírus na passagem de pedestres de Shibuya em Tóquio, 2 de julho de 2020
    © AP Photo / Eugene Hoshiko
    Pessoas usando máscaras faciais protetoras para ajudar a conter a propagação do coronavírus em Tóquio, Japão

    A análise de Leonhardt aponta como uma das principais causas do fenômeno a falta de políticas públicas por parte da Casa Branca para reduzir a distância entre o poder político e dos ricos e das grandes corporações, e o dos trabalhadores assalariados. De fato, os dados mostram que os trabalhadores norte-americanos estão recebendo cada vez menos da riqueza produzida por seu país.

    • Salário mínimo

    Entre os indicadores mais esclarecedores está o salário mínimo, uma categoria na qual os EUA ficaram atrás de outros países de alta renda. O artigo observa que o salário mínimo anual nos EUA, cerca de US$ 15 mil (R$ 79 mil) em 2018, está muito atrás de outros como Reino Unido, Alemanha, França, Países Baixos, Austrália e Luxemburgo, onde ultrapassa US$ 20 mil (R$ 106 mil) por ano.

    • Concentração do mercado

    Leonhardt fornece outra informação-chave: a economia dos EUA favorece a concentração em grandes empresas, tornando possível que grandes grupos econômicos reduzam os salários. O preço dos serviços de telefonia móvel, que é mais alto do que em qualquer outro lugar do mundo, é um indicador de como a falta de concorrentes prejudica os trabalhadores e consumidores.

    • Sistema de saúde

    A qualidade de vida dos norte-americanos também é afetada pelo sistema de saúde. Os cidadãos acabam pagando mais por medicamentos, procedimentos médicos e consultas médicas do que os pacientes em qualquer outro país. Em média, os cidadãos dos EUA pagam mais do dobro do que as pessoas de outros países de alta renda pelas despesas com a saúde.

    • Política tributária

    A desigualdade norte-americana encontra outro reforço na política fiscal. Uma comparação com países como a França, onde as pessoas mais ricas pagam mais da metade de sua renda em impostos, mostra a desigualdade do sistema tributário americano. Para piorar a situação, a tendência é que a carga tributária sobre os ricos nos Estados Unidos continue caindo, com o esforço caindo cada vez mais sobre os trabalhadores e membros da classe média.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    The New York Times, EUA
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