14:05 25 Outubro 2020
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    Mundo enfrentando COVID-19 no início de julho (40)
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    Um dos feitos mais comemorados no governo Bolsonaro, o acordo Mercosul-União Europeia segue imerso em incertezas. Sobre isso, a Sputnik Brasil ouviu a professora de Relações internacionais, Ariane Roder, que avalia que o acordo ainda enfrenta resistências de europeus e dúvidas entre sul-americanos.

    Na quinta-feira (2), lideranças do Mercosul participaram de uma inédita reunião virtual, discutindo temas como divergências internas sobre comércio, a pandemia da COVID-19 e também o acordo econômico com a União Europeia.

    Ariane Roder, professora na área de Relações Internacionais do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPEAD/UFRJ), aponta que o acordo Mercosul-UE representou o fim de anos de paralisia, mas que agora existe o risco de que não seja ratificado devido a fatores internos e externos à América do Sul. Até agora, pelo menos três parlamentos europeus - Áustria, Países Baixos e o da região da Valônia, na Bélgica - já anunciaram posição contrária ao acordo.

    "O governo Bolsonaro conseguiu no ano passado fechar esse acordo, mas agora encontra muita resistência, seja do lado europeu, seja em aspectos envolvendo a atual trama política no Mercosul", afirma Roder em entrevista à Sputnik Brasil.

    O acordo, que levou 20 anos para ser fechado, precisa ser ratificado em cada um dos países dos blocos. Essa condição tem apresentado dificuldades de ser alcançada em relação ao Brasil devido à gestão ambiental no governo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

    "Essa postura diplomática brasileira tem afetado as relações do Brasil com alguns países da União Europeia tais como França, Holanda entre  outros, que enxergam na consecução desse acordo uma forma de pressionar o Brasil para uma mudança de postura, sobretudo, na forma de lidar com a Amazônia e com os nativos locais [povos  indígenas]. Assim também há uma pressão por parte de organizações da sociedade civil europeia para interromper o acordo", ressalta Roder.
    Manifestantes fantasiados de Bolsonaro e Merkel pedem a defesa da Amazônia em ato no Rio de Janeiro
    © AP Photo / Silvia Izquierdo
    Manifestantes fantasiados de Bolsonaro e Merkel pedem a defesa da Amazônia em ato no Rio de Janeiro

    Em 2019, o Brasil sofreu desgaste internacional devido ao crescimento de queimadas na Amazônia, parte de um contexto classificado pela pesquisadora da UFRJ como de "mudanças bruscas" na política para o meio ambiente.

    "A agenda ambiental brasileira vem sofrendo mudanças bruscas, saindo de uma posição proativa no engajamento da pauta da sustentabilidade, para uma postura negacionista em relação a diversos temas dessa agenda e também de uma postura de afastamento e relutância dos foros multilaterais que versam e decidem sobre o assunto", aponta.

    A postura ambiental brasileira tornou-se aliada do interesse de produtores rurais europeus, que se articulam para criticar o Brasil e proteger seus produtos da competição com o setor agrícola brasileiro, avalia a pesquisadora.

    Bandeiras do Brasil e do Mercosul (foto de arquivo)
    © AP Photo / Eraldo Peres
    Bandeiras do Brasil e do Mercosul (foto de arquivo)

    Para além da relação com os europeus, há também diferenças a serem resolvidas dentro do próprio Mercosul. Roder aponta que nesse âmbito o que mais preocupa é a relação entre as duas maiores economias do bloco, Brasil e Argentina, cujos presidentes, Bolsonaro e Alberto Fernández, mantêm conhecidas diferenças políticas.

    "Assim, embora em reunião conjunta os presidentes Bolsonaro e Fernández tenham adotado uma postura mais amistosa quando comparada a situações anteriores e de abertura ao diálogo pragmático, sabe-se que há divergências não apenas de cunho ideológico entre ambos, mas na própria dinâmica e futuro esperado para o bloco", conclui.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Mundo enfrentando COVID-19 no início de julho (40)

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    Tags:
    Alberto Fernández, Jair Bolsonaro
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