00:18 10 Agosto 2020
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    A pausa temporária no plano de ação militar de Pyongyang tem gerado uma calma tensa entre os dois países e várias teorias sobre o que poderia acontecer na atual situação.

    Os especialistas diferem em suas avaliações do que pode acontecer após a decisão inesperada de Kim Jong-un de adiar o plano de ação militar proposto pelo Estado-Maior.

    Alguns explicam que o líder norte-coreano teria vindo a acreditar nas garantias de Seul para resolver a questão da disseminação de folhetos por desertores norte-coreanos, enquanto outros consideram que Kim yo-Jong, a irmã do líder norte-coreano, intensificou a escalada entre os dois países, com Kim agindo como "polícia bom" e colocando uma pausa no conflito.

    No entanto, a probabilidade da última versão é baixa, pois as instruções para destruir a sede de comunicação intercoreana, deslocar militares para a fronteira e organizar manifestações condenando as ações em Seul não são possíveis sem a aprovação do líder norte-coreano, acredita Kim Dong-yup, professor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade Kyungnam, Coreia do Sul.

    Segundo o especialista disse à Sputnik, a pausa de Kim Jong-un seria uma estratégia para ver como será a reação e as ações futuras da Coreia do Sul após esta oferecer garantias de resolver a questão dos ativistas que violam os acordos intercoreanos o mais rápido possível.

    Ao mesmo tempo, não é possível descartar que esta correção da política externa de Pyongyang possa ter sido motivada por considerações internas.

    "Com Pyongyang comprometida com a ideia de um avanço com ênfase em sua economia, para o qual é até necessário enviar militares para canteiros de obras, a pressão excessiva das tensões internacionais, sua escalada para uma crise, pode ser vista como um fator negativo", analisou o professor Kim Dong-yup.

    Ele acrescentou que a Coreia do Norte também poderia fazer uma pausa para encontrar um motivo mais sério para entrar em guerra. Por isso, o especialista acredita que, se o governo sul-coreano não aproveitar essa oportunidade e não cumprir rapidamente suas promessas, será um sinal para a Coreia do Norte de que a lição não foi aprendida e precisa ser demonstrada em ações.

    Kim Dong-yup diz que não se deve esquecer que, para além do plano de ação militar, foram discutidos outros projetos de políticas militares, relatórios e resoluções que refletem medidas nacionais para fortalecer ainda mais a dissuasão militar do país.

    "Embora o plano de ação militar tenha sido adiado, os outros itens da agenda provavelmente serão adotados. Estes deverão incluir o desenvolvimento de novas armas para modernizar a capacidade militar, bem como a demonstração de novas armas estratégicas.

    Por isso, a atual suspensão da ação contra a Coreia do Sul pode, ao invés disso, estar relacionada aos preparativos para o lançamento de mísseis balísticos a partir de submarinos ou à demonstração de novas armas estratégicas. Ou seja, ações militares contra os Estados Unidos na pior das hipóteses", disse ele.

    Lançamento de míssil da Coreia do Norte (imagem referencial)
    © Foto / KCNA VIA KNS
    Lançamento de míssil da Coreia do Norte (imagem referencial)

    O especialista também não descarta que essa mudança na posição de Pyongyang possa estar relacionada aos contatos secretos feitos pela Coreia do Sul para evitar que a situação se agrave. Apesar disso, a Coreia do Norte afirmou que não tinha nada a discutir com Seul, e até revelou a proposta secreta de conversações da Coreia do Sul, que foi fortemente rejeitada pelo Norte.

    Depende da Coreia do Sul salvar a situação?

    Cheong Seong-Chang, diretor do Centro de Estudos Norte-Coreanos do Instituto Sejong na Coreia do Sul, acredita que a ruptura das relações bilaterais é uma situação que não pode ser evitada.

    "Creio que a Coreia do Norte irá cortar agora completamente suas relações com o Sul e procurar formas de manter seu sistema e desenvolvê-lo ainda mais, aumentando gradualmente o intercâmbio humanitário e a cooperação econômica com a China e a Rússia. Como tal, uma deterioração das relações intercoreanas é inevitável no futuro próximo, independentemente da reação do governo sul-coreano", destacou.

    Em sua opinião, a desnuclearização da península coreana foi inicialmente uma missão quase impossível e o fracasso das conversações entre os EUA e Coreia do Norte em 2019 torna este objetivo cada vez mais irrealista. Portanto, o especialista sugere que o governo sul-coreano deve pensar em mudar as prioridades e preparar um plano para fortalecer a dissuasão nuclear o mais rápido possível.

    "Se a situação continuar, como até agora [...] a capacidade nuclear e de mísseis da Coreia do Norte não só aumentará com o tempo, mas a desnuclearização será completamente impossível", ressaltou Cheong.

    O especialista acredita que, para trazer Pyongyang de volta à mesa de negociações, Seul precisa oferecer à Coreia do Norte planos abrangentes de cooperação intercoreana que sejam viáveis e que possam ser de interesse para o Norte.

    "Kim Jong-un tinha anteriormente uma política dura em relação ao Sul e, quando ele achou que era desfavorável à Coreia do Norte, ele subitamente mudou para uma política de apaziguamento, e depois voltou para a linha dura".

    "Portanto, ainda existe a possibilidade de [...] o Norte voltar à política de apaziguamento. E a Coreia do Sul deve agora pensar em como vai restaurar a confiança, aliviar a tensão militar e restabelecer as relações intercoreanas", concluiu o especialista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Kim Yo-jong, Instituto Sejong da Coreia do Sul, EUA, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Kim Jong-un
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