04:28 12 Agosto 2020
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    Segundo professor da Universidade de Viena, não deve haver muitas esperanças depositadas nas discussões de redução de armas nucleares, porque a exigência norte-americana de inclusão da China é uma estratégia.

    As consultas russo-americanas sobre a prorrogação do Tratado START III de estabilidade estratégica terminaram na segunda-feira (22) em Viena, tendo durado dez horas. A delegação russa foi representada pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, e a delegação dos EUA por Marshall Billingslea.

    Como relatado após a reunião do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, na agenda estavam as perspectivas de controle de armas, que incluíam a manutenção da estabilidade no caso de expiração do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário.

    Heinz Gartner, cientista político e professor da Universidade de Viena, não espera sucesso das negociações entre a Rússia e os EUA sobre desarmamento realizadas em Viena.

    "As próprias negociações não significam nada. Não deve haver expectativas exageradas sobre as reuniões em Viena dos líderes diplomáticos das duas superpotências", afirmou Heinz Gartner, professor da Universidade de Viena, Áustria, em entrevista à Sputnik Alemanha.

    "As negociações estão em grande parte ligadas ao fato de que, como o tratado está prestes a expirar, ambos os lados sentem a pressão internacional. Acho que não vai haver prorrogação. É improvável que haja muitas rodadas de negociações e então será assinado um novo acordo detalhado. Trump não terá paciência suficiente para tudo isso", ponderou o especialista.

    O acadêmico tem dúvidas de que Trump queira chegar a um acordo com a Rússia para mostrar aos eleitores qualquer sucesso na política externa antes das eleições. "Os seus eleitores devem gostar mais de um fracasso nas negociações. Se ele está pensando em termos de tática eleitoral, isso deve beneficiar uma não-renovação do acordo."

    Heinz Gartner ressaltou que Trump "ganhou pontos" na política externa apenas quebrando acordos internacionais, por exemplo, ao se retirar do acordo nuclear iraniano. A isso se soma o fato de que o START III reúne muitos pontos a que o presidente dos EUA se opõe, em particular contra seu antecessor Obama, um mundo multipolar, o controle de armas e a China.

    "O fato de a liderança norte-americana insistir em participar de um novo tratado para a China é uma das 'portas secretas' pelas quais os EUA podem 'sair', e justificar sua recusa em renovar o acordo", ressaltou o cientista político.

    "START III acaba por diferir de outros acordos militares dos quais os EUA se retiraram sob Trump em uma coisa: em todos os outros casos, era a Rússia acusada de violar os acordos."

    Objetivo de inclusão de Pequim

    Segundo o especialista austríaco, a referência à China é "absurda", porque Pequim tem muito menos armas nucleares do que os EUA e a Rússia.

    Isso levanta então a questão do porquê do Reino Unido, França, Índia, Paquistão, Coreia do Norte ou Israel não terem sido incluídos no tratado, disse Gartner. A China se recusa a participar do novo acordo porque não quer revelar suas cartas.

    Construção de uma usina nuclear na província Guangdong, na China
    © REUTERS / Bobby Yip
    Construção de uma usina nuclear na província Guangdong, na China

    O especialista ressaltou que a Rússia não se oporá à participação da China no novo acordo, apesar de não insistir nisso.

    "A Rússia gostaria de limitar a China. A Rússia é o primeiro país que se sente ameaçado pela acumulação de armas nucleares pela China, mas Moscou está pronta para esperar neste assunto para salvar a face. A Rússia também é bastante favorável à prorrogação do acordo de 2011, tanto tecnológica como financeiramente."

    "A Rússia quer esperar pelo menos cinco anos. Por sua vez, os EUA têm tantas forças armadas modernizadas que não querem se sentir constrangidos de forma alguma pelos movimentos", enfatizou Heinz Gartner.

    Quanto ao próprio Tratado START III, ele deve ser complementado em termos de conteúdo, acredita o especialista. Ele não leva em conta muitas coisas que foram viabilizadas pela modernização, como as armas cibernéticas ou a inteligência artificial. Além disso, Moscou pode mostrar a todos um exemplo dizendo: "Devemos incluir no tratado também as armas defensivas."

    "Após o fim do START III pode começar uma nova corrida armamentista, porque é o último acordo internacional, juntamente com o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. No entanto, pode acontecer que Moscou e Washington declarem primeiro o cumprimento do tratado para tranquilizar o mundo", nota.

    O cenário otimista é o da autolimitação, como no caso do Tratado de Limitação Estratégica de Armas no final da década de 1970, que os EUA acabaram por nunca ratificar, mas cumpriram durante seis anos inteiros", lembrou Heinz Gartner.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Israel, Coreia do Norte, Paquistão, Índia, França, Reino Unido, Donald Trump, Sputnik, Sputnik Alemanha, Áustria, Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, START III, China, EUA, Rússia
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