14:51 25 Outubro 2020
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    Situação com coronavírus no Brasil no fim de junho (51)
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    A empresa estatal Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) está nos planos de privatização do governo federal. A Sputnik Brasil ouviu um economista e estudioso do setor petrolífero, que acredita que a atual crise econômica pode dar um empurrão na direção da venda da empresa.

    O governo acredita que a venda da estatal brasileira possa render R$ 500 bilhões aos cofres públicos, de forma a sanar parte dos efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus no Brasil. A empresa foi criada em 2010 e tem como função administrar os campos de petróleo do Pré-Sal.

    A informação foi publicada na segunda-feira (22) pelo colunista do portal G1, Valdo Cruz. Segundo a coluna, os gastos com a pandemia chegam, por ora, a R$ 400 bilhões.

    As intenções privatistas do governo não se limitam à Pré-Sal Petróleo S.A. e podem incluir a Eletrobras, a administração do Porto de Santos e também os Correios em um pacote a ser enviado ao Congresso Nacional no segundo semestre de 2020.

    Para José Mauro de Morais, pesquisador em Economia e coordenador de estudos de Petróleo da diretoria de estudos setoriais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a situação econômica atual pode empurrar o Congresso para um acordo.

    "Nesse momento em que o governo [está] com essa dificuldade tão grande de ter recursos para investimento e cuja dívida vai assumir valores muito altos, é bem provável que o Congresso tenha uma disposição para discutir o problema e chegar a um bom termo com o governo, que provavelmente pode até levar à privatização da empresa PPSA", afirma Morais em entrevista à Sputnik Brasil.

    O pesquisador avalia que a dívida criada em meio à pandemia pode alcançar uma relação com o PIB brasileiro capaz de impedir investimentos ao longo da década. Dessa forma, cria-se uma urgência para solucionar o problema.

    Diminuição do controle do Estado sobre o Pré-Sal

    Com a venda da PPSA, o economista vislumbra uma mudança na administração do Pré-Sal e o fim do regime de partilha, que garante maior controle do Estado sobre os recursos na região.

    "É bem provável que, acabando o regime de partilha com a venda da PPSA, as empresas se interessem em voltar a investir na área do Pré-Sal", aponta.

    O pesquisador recorda que as licitações mais recentes das áreas de exploração do petróleo no Pré-Sal não conseguiram atrair o interesse do setor privado, com exceção de companhias associadas à Petrobras. Para Morais, essa situação se deve justamente ao regime de partilha e a venda da PPSA pode ajudar a atrair o interesse de mais empresas sobre as riquezas do Pré-Sal.

    "O impacto de acabar com o regime de partilha com a venda da PPSA vai ser, provavelmente, o aumento dos investimentos e do emprego, e o aumento da produção de petróleo nas áreas do Pré-Sal", opina o economista.
    Produção do pré-sal em 2007 correspondeu a 50,7% de toda a extração de petróleo e gás do país
    Mauro Pimentel/AFP
    Produção do pré-sal em 2007 correspondeu a 50,7% de toda a extração de petróleo e gás do país

    Falta de perspectiva

    Em relação ao valor de mercado suposto de R$ 500 bilhões, o pesquisador levanta dúvidas. O economista acredita que o valor de venda deve ser elevado, mas que ainda não é possível calcular a cifra com exatidão.

    "É bem provável que o preço alcance um valor muito elevado, que não dá para dizer agora qual é. Mas com certeza será um valor muito alto, que não dá para dizer ainda que será R$ 500 bilhões. O cálculo ainda vai ser mais bem apurado com o tempo, mas é um valor muito significativo", aponta, acrescentando que a queda recente do preço do petróleo pode fazer o valor de venda da PPSA diminuir.

    Morais defende que o fim do regime de partilha pode melhorar as perspectivas de produção de petróleo e que a venda de estatais brasileiras nesse momento seria um remédio menos amargo do que o aumento dos impostos para sanar as contas públicas.

    Ministro da Economia Paulo Guedes ajusa sua máscara protetora durante cerimônia de posse do novo ministro das Comunicações, Fábio Faria, em Brasília, 17 de junho de 2020
    © REUTERS / Adriano Machado
    Ministro da Economia Paulo Guedes ajusa sua máscara protetora durante cerimônia de posse do novo ministro das Comunicações, Fábio Faria, em Brasília, 17 de junho de 2020

    O economista entende que há também efeitos negativos associados à venda da PPSA, como o fato de que o governo deixaria de receber o petróleo que seria extraído nas próximas décadas no Pré-Sal. Morais, porém, não enxerga melhores alternativas.

    "Medindo pontos positivos e pontos negativos [da privatização da PPSA] é provável que os pontos positivos sejam superiores, porque diminui muito a dívida que o governo tem e pode então contribuir para o governo voltar a investir", conclui.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    pré-sal, Leilão do Pré-Sal, Petrobras
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