23:48 30 Setembro 2020
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    O dólar deverá continuar liderando o câmbio de transações mundiais e os EUA poderão continuar usando a moeda como instrumento de sanções, mas especialista nota que há limitações para essa abordagem.

    A China deve se preparar para uma guerra financeira com os EUA e os possíveis riscos de ficar isolada do sistema financeiro norte-americano, afirmou Fang Xinghai, subdiretor da Comissão de Regulamentação do Mercado de Valores Mobiliários da China em um pronunciamento no fórum financeiro Caixin.

    Fang Xinghai apontou que a China realiza a grande maioria das transações no mercado externo em dólares, utilizando o sistema internacional de transmissão de informações financeiras SWIFT, bem como a Câmara de Autorização do Sistema de Pagamentos Interbancários (CHIPS, na sigla em inglês).

    Qualquer transação em dólares também é realizada através de um banco dos EUA, o que pode levar a que eles bloqueiem completamente as operações.

    Além da atual guerra econômica entre os EUA e a China, a Rússia também tem antecedentes, como as sanções relativas ao caso de Sergei Magnitsky em 2013, à adesão da Crimeia à Rússia em 2014, às acusações da alegada interferência russa nas eleições norte-americanas em 2016, ao caso dos Skripal em 2018 ou aos supostos ataques de hackers russos.

    Da mesma forma, a China é acusada de oprimir os muçulmanos uigures, pressionar Hong Kong, espalhar desinformação na Internet sobre a pandemia da COVID-19, além de outras acusações.

    Em teoria, os EUA podem, claro, desconectar qualquer país do sistema financeiro global, bastando referir os antecedentes do Irã e da Coreia do Norte. No entanto, segundo a Organização Mundial do Comércio, a China é responsável por 13% das exportações e 11% das importações mundiais, que são as maiores cotas nacionais no comércio mundial. Além disso, a China é o maior detentor de títulos do Tesouro norte-americano.

    Sanções parciais são possíveis, mas uma pressão financeira em larga escala sobre a China por parte dos EUA é improvável, disse Jia Jinjing, vice-diretor do Centro de Pesquisa Financeira Chungyang da Universidade Popular da China, à Sputnik China. Segundo ele, o envolvimento da China no universo financeiro norte-americano é muito alto.

    Sanções são faca de dois gumes

    Mesmo no caso da Rússia, que não tem uma participação tão grande no comércio mundial, é possível qualificar de pontuais as sanções de Washington. Os EUA proibiram os bancos nacionais de participar do mercado primário de dívida soberana em moeda estrangeira na Rússia e de conceder empréstimos ao governo russo.

    Sede do Banco Central da Rússia
    © AFP 2020 / YURI KADOBNOV
    Sede do Banco Central da Rússia

    No entanto, não há restrições às atividades de comércio externo da maioria das empresas russas por parte do sistema do dólar norte-americano. Aliás, na opinião de Jia Jingjing, os preços dos ativos russos, que antes eram manipulados por países ocidentais encabeçados pelos EUA, se tornaram mais justos. Esta é provavelmente a principal lição a ser aprendida com a experiência russa, diz o especialista.

    "As sanções impostas pelos EUA à Rússia também são dirigidas contra empresas e indivíduos e não podem ser aplicadas à Rússia como um todo. Anteriormente, os ativos russos eram avaliados por países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, que manipulavam seus preços. Isto fez com que muitos ativos russos fossem subavaliados, enquanto o mercado acionário russo era, em consequência, extremamente passivo."

    "Eu acho que esta é a principal lição", comenta à Sputnik. "A China está atualmente passando por uma grande reforma financeira e o mercado acionário tem se mantido relativamente estável ultimamente. A China continua expandindo sua abertura financeira. Isso torna a China mais proativa financeiramente, [porque] o valor dos ativos financeiros chineses não é tão exposto a forças externas."

    Uma lógica econômica simples sugere que é pouco provável que os EUA imponham sanções financeiras severas à China. Cada vez que os EUA usam o dólar como um porrete político, sua participação nos pagamentos internacionais é reduzida.

    Papel do dólar norte-americano

    Ainda há alguns anos, o dólar representava mais da metade dos pagamentos internacionais, mas agora eles são apenas cerca de 40%. O Banco Central da Rússia está acumulando suas reservas em yuan, cuja participação já ultrapassa 12%.

    A Rússia continua reduzindo gradualmente a participação do dólar nas transações com seus parceiros, incluindo a China. A participação do dólar nos pagamentos da Rússia com os BRICS caiu de 73% para 49% no ano passado. No entanto, o lugar do dólar no comércio russo ainda é ocupado pelo euro, e não pelas moedas nacionais, pois nenhuma outra moeda ainda pode ser considerada totalmente internacional.

    O yuan foi incluído nos Direitos Especiais de Saque, instrumento monetário internacional criado pelo FMI, em 2016, mas sua participação no comércio internacional ainda não ultrapassa 2%. Como tal, será difícil ver o dólar abandonar a liderança mundial em um futuro próximo, a não ser que os próprios EUA apoiem a criação de um novo sistema financeiro global em busca de uma alternativa ao dólar.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Sergei Skripal, Crimeia, Sergei Magnitsky, Hong Kong, Organização Mundial do Comércio, Banco Central da Rússia, Coreia do Norte, Irã, SWIFT, Rússia, BRICS, China, EUA, FMI
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