20:05 14 Agosto 2020
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    Manifestantes voltaram às ruas nesta semana, em São Paulo, para exigir justiça após a morte de mais um jovem negro, possivelmente pela polícia, no Brasil.

    A morte do ex-segurança negro George Floyd, nos Estados Unidos, no final do mês passado, por um policial branco, desencadeou uma onda de protestos antirracistas pelo mundo ao longo das últimas semanas, levando o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas a aprovar, nesta sexta-feira (19), a abertura de um inquérito para investigar o "racismo sistêmico" contra pessoas de ascendência africana.

    No Brasil, as manifestações contra o preconceito racial e a violência policial inspiradas no movimento internacional tiveram como pano de fundo a morte do adolescente negro João Pedro, baleado em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, durante uma operação policial, uma semana antes de Floyd.

    Quando muitos ainda choravam a morte do jovem de 14 anos, outro, de 15, voltou a chamar a atenção: Guilherme Silva Guedes, supostamente assassinado por um policial militar na Zona Sul de São Paulo no último domingo (14), levando a novos protestos. 

    ​"Talvez, quando esse movimento vem de fora para dentro, ele ganha uma amplitude, até porque essa amplitude foi mundial. Outros países também falaram sobre o caso do George Floyd. Por ter acontecido nos Estados Unidos, a visibilidade é muito maior do que aqui no Brasil. O que a gente não pode deixar acontecer é que esse acontecimento dessa mobilização antirracista vire uma moda, algo passageiro, e que a gente esqueça que, a cada 23 minutos, um jovem negro é morto no Brasil", afirma a jornalista Thaís Bernardes, editora-chefe do portal antirracista Notícia Preta.

    Independentemente de as atuais manifestações antirracistas terem se originado em outro país, a ativista, ouvida em entrevista pela Sputnik Brasil, acredita que o importante é que essa mobilização sirva para a sociedade brasileira se questionar sobre "o que nós vamos fazer para que os casos de racismo diminuam no Brasil".

    "Eu acho que o primeiro passo é entender que a gente precisa dessa redução e essa redução passa por uma consciência antirracista."

    De acordo com Bernardes, embora muitos brasileiros estejam realmente discutindo mais abertamente o problema do racismo e da violência contra a população negra, isso não pode se resumir a uma "campanha de rede social". Para ela, é urgente a necessidade de políticas públicas para negros, moradores de comunidades e de periferias e também de "movimentos que a própria sociedade faz", como, por exemplo, quando personalidades brancas, famosas, cedem espaço e voz a pessoas negras. Mas não só.

    "O que acontece é que, agora, a gente precisa ocupar lugares, lugares esses que, historicamente, foram negados para nós, pretos e periféricos. E isso passa pela política. A gente está em um ano de eleição. Então, eu acredito que a gente precise eleger muitos vereadores e prefeitos negros e negras. Porque a representatividade é importante, mas, além disso, nós queremos a equidade. Se somos 54% da população, é mais do que lógico que a gente esteja em 54% ou, pelo menos, metade dos espaços de poder." 

    Criado em novembro de 2018, o portal Notícia Preta, segundo a editora, busca "tratar as pautas da mídia de uma forma racializada, tirando todos os estereótipos da população negra". 

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    negros, mortes, assassinato, protestos, manifestações, justiça, São Gonçalo, Rio de Janeiro, São Paulo, racismo, EUA, Estados Unidos, Brasil
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