20:50 02 Dezembro 2020
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    Especialistas entrevistados pela Sputnik Mundo discutiram o envio de uma força militar norte-americana para a Colômbia, que faz fronteira com Venezuela, cujo governo os EUA pretendem destituir.

    A possibilidade de conflito armado na América Latina permanece real para alguns, e o medo ressurgiu com a chegada de uma força de elite norte-americana à Colômbia no início deste mês para ajudar na luta contra o narcotráfico, com Venezuela do outro lado da fronteira.

    Donald Trump disse repetidamente que não descartava nenhuma opção para provocar mudanças em Caracas.

    Segundo especialistas entrevistados pela Sputnik Mundo, a ação seria parte da "guerra híbrida" travada por Washington, combinando elementos militares tradicionais com ataques da imprensa para desacreditar a Venezuela, seu inimigo número um na América do Sul.

    Aliado preferencial

    "Os Estados Unidos na América Latina voltam a ter certo poder e, infelizmente, a mensagem que começam a dar a seus aliados é de subordinação. A Colômbia é um aliado preferencial dos Estados Unidos nesta região. A América Latina é mais uma vez um cenário propenso a um conflito armado", adverte o cientista político argentino Christian Arias Barona, da Universidade de Buenos Aires, em diálogo com a Sputnik.

    Com tropas na Colômbia, Brasil, Argentina, Peru, Equador e México, os Estados Unidos estão se reposicionando na América Latina quando alguns pensavam que haviam perdido sua hegemonia.

    No entanto, Silvina Romano, outra cientista política argentina do Conselho Nacional de Pesquisas Técnicas e Científicas, não acredita que haja um risco iminente de guerra, embora admita que a falta de conhecimento na sociedade latino-americana sobre as atividades das tropas norte-americanas na região esteja alimentando o medo.

    Em 1º de junho, uma missão das Brigadas de Assistência às Forças de Segurança (SFAB, na sigla em inglês), uma unidade especializada do Exército norte-americano, chegou à Colômbia para apoiar "a luta contra o narcotráfico".

    Agentes de patrulhamento fronteiriço norte-americanos com fardos de maconha na fronteira entre México e EUA
    © AP Photo / Rodrigo Abd
    Agentes de patrulhamento fronteiriço norte-americanos com fardos de maconha na fronteira entre México e EUA

    O contingente, segundo a Embaixada dos Estados Unidos e o governo colombiano, apoiará "a mais vigorosa operação antidrogas" anunciada por Trump em 1º de abril. Navios e aviões americanos também chegaram ao largo da costa da Venezuela depois que Washington acusou o presidente venezuelano Nicolás Maduro de "narcoterrorismo".

    Aumento da presença

    Nos últimos anos, a presença das forças norte-americanas cresceu em países como Brasil, Equador e Argentina, se somando à já estável presença na Colômbia, Peru e México, advertiu a especialista Tamara Lajtman, pesquisadora do Instituto de Estudos da América Latina e do Caribe da Universidade de Buenos Aires, Argentina.

    "Se houver uma guerra, sem dúvida a Colômbia será a principal plataforma militar dos EUA contra a Venezuela", disse ela à Sputnik.

    Ela disse acreditar que a influência norte-americana nos países latino-americanos ocorre de muitas formas, incluindo patrulhas navais constantes, exercícios conjuntos, redes de infraestrutura militar, bases tradicionais e centros de operações avançadas ou de emergência.

    "A essa presença no território, somam-se acordos bilaterais de segurança, fluxos de assistência militar e antidrogas e o negócio e venda de armas", acrescentou.

    Narcotráfico na América Latina

    Em 26 de março, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos emitiu um mandado de prisão com uma acusação de narcoterrorismo contra o próprio Maduro. Posteriormente, em 1º de abril, Trump reforçou as operações antidrogas em toda a região do Caribe para bloquear e cercar a Venezuela que, segundo ele, é um país que produz altos níveis de drogas.

    "A acusação é falsa. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime não registra a Venezuela como produtora de ópio ou maconha. Pelo contrário, a Colômbia é a principal produtora a nível mundial. Os EUA manipulam, se introduzem na mídia e a usam contra uma nação que eles querem desacreditar. Não há um interesse real no combate ao narcotráfico", comentou Arias Barona.

    Por sua vez, Romano explicou que o envio de tropas para a Colômbia neste momento se deve à instabilidade enfrentada pelo país norte-americano.

    "A tensão nas ruas e a gestão do coronavírus que não foi aceita gera um cenário muito instável em um ano eleitoral. O que os Estados Unidos costumam fazer diante de uma situação como esta é colocar o foco na política externa, para mostrar que podem impor ordem", disse ela.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Donald Trump, Argentina, Sputnik, Sputnik Mundo, Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Colômbia, EUA, Venezuela
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