13:11 13 Julho 2020
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    Há exatos 10 anos o navio Mavi Marmara com ativistas turcos foi abordado e atacado por forças especiais israelenses em águas internacionais ao tentar furar bloqueio naval a Gaza.

    Na noite entre os dias 30 e 31 de maio de 2010, o Mavi Marmara foi atacado por militares israelenses ao tentar levar para a Faixa de Gaza ajuda humanitária, furando um bloqueio naval imposto por Israel à região.

    Como resultado, 10 ativistas turcos morreram e 10 militares israelenses ficaram feridos. Na ocasião, em seis diferentes embarcações, que juntas formavam a Flotilha da Liberdade, havia cerca de 700 ativistas.

    Três anos após o incidente, Israel fez um pedido de desculpa oficial à Turquia, mas as relações entre ambos os países ficaram congeladas durante seis anos após o ataque.

    Com o processo de normalização das relações, Israel iniciou o pagamento de US$ 20 milhões (cerca de R$ 108 milhões em valores atuais) como compensação aos familiares das vítimas.

    Apesar da retomada das relações e das compensações, os parentes recusam-se a receber o dinheiro e exigem a condução de um processo penal.

    'Escondendo as ações com dinheiro'

    Em entrevista à Sputnik Turquia, Furkan Akyuz, filho de uma das vítimas, afirmou que "Israel está acostumado a esconder suas ações por meio de dinheiro, intimidação ou fazendo lobby dos seus interesses".

    Segundo ele, a compensação financeira oferecida por Israel seria uma forma do país "fechar o caso sem provocar ruído", mas as famílias "não querem nenhum dinheiro de Israel".

    "Foi feito um ataque contra civis em águas internacionais, e os autores deste ato deveriam ser castigados", afirmou Akyuz.

    Contudo, as compensações fizeram parte de um acordo bilateral entre a Turquia e Israel. Por sua vez, Akyuz afirma que o acordo ainda pode ser cancelado.

    "Recusando o acordo, pode ser iniciado um processo contra Israel. Em Haia até hoje está aberto o processo do Mavi Marmara, no momento sua análise foi adiada", afirmou.

    Mudança de posição turca?

    Segundo contou à Sputnik o político oposicionista turco Ozgur Ozel, o acordo fechado foi um "duro golpe nos direitos das vítimas do ataque e seus familiares".

    Além disso, nos momentos anterior e posterior ao acordo a posição do presidente Recep Tayyip Erdogan teria mudado.

    "Alguns meses antes do incidente com o Mavi Marmara, Erdogan havia dito: 'Se for necessário, eu mesmo vou à Faixa de Gaza em um navio.' Inspirados por esta declaração, ativistas seguiram caminho para furar o bloqueio a Gaza", disse Ozel.

    Após alcançar um acordo, a posição turca mudou quando Erdogan declarou que com o pagamento das compensações o caso seria encerrado.

    Como serão as relações turco-israelenses?

    Comentando o assunto, o ex-embaixador turco em Israel Barlas Ozener disse à Sputnik sua opinião sobre qual caminho a Turquia deveria tomar em relação a Israel.

    "A atual tensão observada nas relações turco-israelenses está em muito ligada com os eventos que vieram à tona em 2010, e é estimulada adicionalmente por novas discordâncias e controvérsias entre ambos os países", disse o diplomata.

    Apesar da retomada das relações, a Questão Palestina é vista por Ozener como um fator que afasta Ancara de Tel Aviv.

    "Nesta situação, a decisão mais certa – independentemente das diferenças de visão de ambos os países – é dar passos no caminho da cooperação naquelas esferas onde existem interesses mútuos", acrescentou.

    Ainda de acordo com ele, a Turquia possui recursos para tal aproximação, mas Israel também deve seguir o mesmo caminho.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Faixa de Gaza, Flotilha da Liberdade, Mavi Marmara, Recep Tayyip Erdogan, Israel, Turquia
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