08:35 22 Outubro 2020
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    Enquanto diversas cidades americanas viraram palco de confrontos violentos entre a polícia e manifestantes após a morte de um cidadão negro, situação se assemelha aos tumultos na Ucrânia em 2013.

    No último dia 25, o cidadão negro americano George Floyd foi morto por um policial durante abordagem na cidade de Minneapolis.

    Enquanto dizia que não conseguia respirar, o cidadão teve seu pescoço pressionado ao chão pelo joelho do policial.

    Após a cena ser filmada e se ter tornado notícia no país, cidadãos americanos saíram às ruas em dezenas de cidades para protestar contra a polícia e atos de racismo.

    Manifestantes protestam próximo da Casa Branca em Washington pela morte do cidadão negro George Floyd
    © REUTERS / ERIC THAYER
    Manifestantes protestam próximo da Casa Branca em Washington pela morte do cidadão negro George Floyd

    Como resultado, uma delegacia virou cinzas em Minneapolis, veículos foram destruídos e um policial veio a falecer na cidade de Oakland, na Califórnia.

    Enquanto os dias passam, a situação tem se tornado cada vez mais tensa, tendo moradores de Minneapolis "declarado guerra" à polícia local e o governo preparado militares para interferir, caso necessário.

    Protestos 'organizados'

    Comentando a violência, o colunista da Sputnik, Ivan Danilov, associou os recentes protestos com os vividos durante as chamadas revoluções coloridas (série de tumultos apoiados pelos EUA em diversos países almejando a instalação de governos pró-ocidentais).

    "Observando as cidades americanas em chamas, não se pode separar a sensação de que vemos, se quiser, uma paga mística pelas ações dos EUA em outros países", afirmou Danilov.

    De acordo com ele, as motivações por trás dos protestos vão além da indignação pela morte de George Floyd.

    "Tudo é muito simples: nos EUA, às vésperas da eleição presidencial e tendo como fundo uma crise econômica aguda, aconteceu um fenômeno que por analogia à 'centena celeste' [como foram chamados os mortos nos protestos em Kiev em 2013] pode ser chamada de 'afro-americano celestial' [em referência a George Floyd], e isso se tornou o gatilho para protestos bem organizados e massivos com o uso da violência e de armas de fogo", acrescentou.

    O suposto pré-planejamento das ações foi publicado no Twitter por Elijah Schaffer, jornalista do portal The Blaze, após o mesmo testemunhar os protestos em Dallas.

    Urgente: o tumulto de hoje à noite em Dallas foi pré-planejado. Os organizadores estavam direcionando a multidão para onde ir. Eles tinham paletes de 100 tijolos prontas para os manifestantes. Eles estavam gritando para a multidão "vá para a esquerda, tem 100 tijolos na esquina ali". Isso não foi um caos aleatório

    Sociedade dividida?

    Tal cenário refletiria uma sociedade dividida enquanto as eleições se aproximam, e o quadro tenderia a piorar após o sufrágio.

    "A sociedade e as elites estão obviamente divididas em duas metades quase iguais que se odeiam abertamente, e uma dessas partes ficará muito insatisfeita com os resultados das eleições, enquanto a sedução de 'corrigir' seus resultados nas ruas com armas nas mãos pode ser completamente irresistível", acrescentou.
    Manifestantes rasgam bandeira dos EUA  em Raleigh, Carolina do Norte, durante ato de protesto após a morte do cidadão George Floyd
    © REUTERS / Jonathan Drake
    Manifestantes rasgam bandeira dos EUA em Raleigh, Carolina do Norte, durante ato de protesto após a morte do cidadão George Floyd

    Ainda de acordo com o portal The Hill, celebridades americanas estão financiando os protestos ao pagar milhares de dólares em fianças para que os manifestantes venham ser soltos e os tumultos prossigam.

    Enquanto isso, as medidas de contenção dos distúrbios parecem não surtir efeito.

    "A introdução do toque de recolher em Minneapolis e Portland só mostrou a impotência das autoridades locais – ele é pouco cumprido e os tumultos prosseguem", afirmou o colunista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Califórnia, Minneapolis, EUA, eleições, polícia, tumultos, protestos
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