15:00 09 Julho 2020
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    Brasil no combate ao coronavírus no início de maio (66)
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    Na quinta-feira (7), o presidente Bolsonaro levou empresários que estão sofrendo prejuízos durante a pandemia para pressionar o presidente do STF, Dias Toffoli. Sobre as questões econômicas levantadas na reunião, a Sputnik Brasil ouviu a economista Juliana Inhasz, que afirma que o país precisa pensar no longo prazo.

    Acompanhados do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, empresários de diversos setores estiveram em Brasília para pressionar o governo pela reativação econômica do país.

    A presença dos empresários na quinta-feira motivou alvoroço na capital devido ao fato inusitado de que Bolsonaro os levou caminhando até a sede do Supremo Tribunal Federal (STF), onde solicitou sem prévio aviso uma reunião com o presidente do STF, Dias Toffoli.

    O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, durante uma coletiva de imprensa após reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.
    © REUTERS / Adriano Machado
    O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, durante uma coletiva de imprensa após reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

    Durante a reunião, transmitida em redes sociais, Bolsonaro citou uma decisão recente do STF que garantiu como prerrogativa de estados e municípios as decisões sobre o isolamento social.

    As restrições, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e adotadas mundo afora para conter a pandemia da COVID-19, são encaradas com ceticismo por Bolsonaro, que defende a retomada e alerta sobre os impactos das medidas sobre a economia. Paulo Guedes, após a reunião, chegou a dizer que a economia brasileira está a ponto de colapsar.

    Retomada imediata é ilusão, diz economista

    Juliana Inhasz, coordenadora de Graduação do Curso de Economia do Insper e especialista em Conjuntura Econômica, aponta que a desaceleração da economia brasileira é natural devido às restrições impostas pelo isolamento social. Para ela, a melhor solução é garantir a efetividade do isolamento social para que a medida possa ser encerrada com segurança o mais rápido possível, uma vez que a reabertura precoce pode causar danos ainda maiores à economia.

    "Talvez se a gente conseguir, de fato, manter nesse primeiro momento, ainda que sob danos econômicos relativamente altos, uma economia inativa e uma população isolada, a gente consiga ativar essa economia com maior sucesso em um curto prazo", afirma a economista em entrevista à Sputnik Brasil.

    A economista alerta ainda que mesmo a retomada imediata da atividade econômica não traria resultados neste momento. Por isso, Inhasz classifica a ideia de retomada, defendida por Bolsonaro, como uma ilusão.

    "Se a gente reativar a economia hoje, a demanda não volta hoje. É um pouco de ilusão até do presidente achar que diminuindo o isolamento a gente consegue fazer uma volta ao que a gente era. É uma grande ilusão. O nosso passado antes da pandemia não existe mais no futuro. O nosso futuro é uma nova realidade, o nosso novo normal é um normal certamente muito diferente do pré-pandemia", diz.

    Estratégia de longo prazo

    Há uma necessidade que vem sendo deixada de lado, segundo a economista, de se pensar o momento da retomada da economia após o período necessário de isolamento. Para ela, o Brasil já vinha de sobressaltos econômicos e o governo precisa planejar esse momento com uma nova abordagem para evitar outras crises.

    "A gente precisa não só que o governo faça suas políticas, como tem feito, mas que também pense estratégias de longo prazo. Acho que falta um tanto isso. O governo não tem pensado em estratégias no pós-pandemia", alerta a pesquisadora.

    Segundo Inhasz, a economia brasileira está em uma situação crítica, mas ela acredita que isso não é apenas um efeito da pandemia.

    "Ela [a situação] é crítica porque o Brasil já vinha de uma situação crítica. A gente vem aí de uma tentativa de recuperação econômica que não foi completamente bem sucedida", aponta a economista, que acrescenta que o país não estava preparado para viver uma crise dessa magnitude.
    Apoiadores do presidente Bolsonaro fazem carreata na Avenida Paulista, em São Paulo, a favor da reabertura do comércio
    © Folhapress / FotoRua
    Apoiadores do presidente Bolsonaro fazem carreata na Avenida Paulista, em São Paulo, a favor da reabertura do comércio

    Para a pesquisadora, os países com as economias ajustadas estão lidando melhor com a situação e é necessário que o Brasil reveja o olhar sobre o setor econômico daqui para a frente.

    "É uma mudança de perfil da economia brasileira, é uma mudança social da economia brasileira que está em jogo. A gente não precisa, óbvio, definir todos os rumos que a gente vai tomar agora, mas precisamos saber como a gente quer a sociedade brasileira daqui para a frente", diz Inhasz.

    Para ela, uma das bases dessa mudança de pensamento deve estar no olhar para a desigualdade social.

    "A gente não quer uma economia afundada, mas a gente também não quer uma sociedade que tenha uma grande discrepância social, que tenha índices terríveis de criminalidade e de violência porque a distribuição de renda é caótica", aponta.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Brasil no combate ao coronavírus no início de maio (66)

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    Tags:
    COVID-19, Dias Toffoli, Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Guedes, Jair Bolsonaro
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