23:57 14 Agosto 2020
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    Brasil no combate ao coronavírus no início de maio (66)
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    Diante do colapso do sistema de saúde de Manaus, a administração da cidade pediu ajuda aos países do G7 e até da ativista Greta Thunberg. Sobre isso, a Sputnik Brasil ouviu um professor de Relações Internacionais, que apontou que a situação gera constrangimento ao governo brasileiro.

    O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), enviou pedidos de ajuda a diversos países, incluindo os membros do G7, o grupo das sete economias mais industrializadas do mundo. Além disso, o prefeito também contatou a ativista ambiental sueca Greta Thunberg, na esperança de que a jovem use sua notoriedade para chamar atenção para a situação em Manaus.

    Até a quarta-feira (6), a capital amazonense tinha 4.804 casos confirmados da COVID-19, além de 459 mortes causadas pela doença.

    Para Creomar de Souza, professor de Relações Internacionais, diretor e fundador da consultoria Dharma Political Risk and Strategy, o pedido de ajuda enviado pelo prefeito de Manaus é necessário.

    "Diante de uma calamidade como essa, que nós enfrentamos, que é a pandemia da COVID-19, qualquer tipo de ajuda é suficientemente necessária e importante", afirma o professor em entrevista à Sputnik Brasil.

    Segundo Creomar, a estratégia de Manaus é uma tentativa de chamar a atenção para a tragédia vivida na cidade.

    "Isso também não deixa de ser um elemento marcador de posição até para o próprio governo brasileiro, no sentido de que a prefeitura de Manaus se sente não prestigiada tendo em vista a gravidade do processo", aponta.

    O diretor da Dharma Political Risk and Strategy acredita que o pedido simboliza um recado direto ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, além de ressaltar o tamanho da crise que atinge Manaus.

    "Não deixa de ter também uma lógica de embate direto em direção ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e alguns dos gestores de Saúde. De fato, me parece também que o pedido beira a um componente de desespero, tendo em vista a incapacidade da prefeitura [de Manaus], o que é expresso pelo próprio prefeito, de lidar com uma crise do tamanho desta, da COVID-19", diz o analista.
    Homem chora a morte de avó de 71 anos, vítima da COVID-19, no cemitério Nossa Senhora, em Manaus (AM), 6 de maio de 2020
    © REUTERS / Michael Dantas
    Homem chora a morte de avó de 71 anos, vítima da COVID-19, no cemitério Nossa Senhora, em Manaus (AM), 6 de maio de 2020

    Para Souza, o pedido de Manaus ao exterior gera "constrangimento" ao governo federal, uma vez que evidencia que o Brasil tem problemas para lidar com os efeitos da pandemia. O analista, porém, afirma que o ano eleitoral deve ser levado em conta, e acredita que o pedido de socorro incluindo Greta Thunberg possa também carregar objetivos políticos.

    "Creio que a tentativa pode ser encarada com um ato de desespero, de um lado, mas também um esforço do próprio prefeito no sentido de talvez colar a sua própria imagem à imagem da ativista internacional", diz.

    Segundo os dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde, o Brasil registra 9.146 mortes causadas pela COVID-19, além de 135.106 casos confirmados da doença.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Brasil no combate ao coronavírus no início de maio (66)

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    Tags:
    Amazonas, Manaus, G7, COVID-19
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