21:59 30 Maio 2020
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    Brasil no combate ao coronavírus no início de maio (66)
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    A agência de classificação de risco Fitch reduziu na última terça-feira (5) a perspectiva da nota de crédito soberano do Brasil de estável para negativa.

    A agência Fitch classificou a perspectiva da dívida pública do Brasil com a nota "BB-", três níveis abaixo do grau de investimento, garantia de que o país não corre risco de dar calote na dívida pública.

    O professor de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), André Nassif, em entrevista à Sputnik Brasil, disse não ver muito sentido as empresas de rating realizarem avaliação durante o período da pandemia, sendo que é uma "crise sanitária que não circunscreve só o Brasil, mas o mundo inteiro".

    "A avaliação de empresas de rating como Fitch, Standard & Poor's, entre outras, destina-se basicamente a mensurar a capacidade de empresas, e da própria república, honrarem compromissos, seja em moeda local, seja em moeda estrangeira. Então quando a Fitch ou Standard & Poor's estão fazendo avaliação de rating elas tanto fornecem avaliação de empresas, grandes empresas de diversos países, mas também avaliação da república, do país ter capacidade de honrar, nesse caso, compromissos internacionais em moeda estrangeira", explicou.

    De acordo com ele, tais avaliações podem mostrar que uma empresa "está bastante saudável para honrar compromissos externos em dólar, mas se o país tiver algum problema cambial, o Banco Central pode impor restrições à saída de dólar".

    Ao comentar a mais recente avaliação da agência Fitch para o Brasil, o economista criticou o fato de que empresas de rating estejam reformulando notas de países, especialmente de países em desenvolvimento, no meio de uma pandemia.

    "Uma iniciativa mais sensata das agências de rating seria pelo menos esperar que essa fase mais aguda da pandemia arrefecesse e que as medidas de distanciamento social, digamos daqui a quatro ou cinco meses, fossem paulativamente relaxadas, com a retomada da atividade produtiva, e que o governo apresentasse uma estratégia clara de quais seriam as medidas tomadas não só para proporcionar uma recuperação mais rápida da economia, como também medidas de ajuste fiscal a longo prazo", argumentou André Nassif.

    Analistas observam gráficos na bolsa de valores de São Paulo Bovespa
    © AP Photo / Andre Penner
    Analistas observam gráficos na bolsa de valores de São Paulo Bovespa

    O especialista destacou que "rebaixar a [perspectiva da] nota do Brasil causa implicações para a capacidade do Brasil tomar recursos externos, embora independentemente da nota rebaixada ou não, em uma situação de crise mundial severa, os investidores externos vão buscar guarida na busca de títulos privados ou públicos em países de moeda conversível".

    De acordo com o professor de Economia, independente da nota da agência Fitch, já estava havendo uma busca por ativos fora do país.

    "No início de março com a pandemia se acelerando, começou a haver uma pressão fortíssima sobre a taxa de câmbio real/dólar. O real sofreu uma desvalorização de mais de 40% nos últimos dois meses. Já vinha sofrendo uma desvalorização lenta, mas a pandemia acelerou este processo. E essa desvalorização foi basicamente por conta de uma intensa saída de capitais, justamente por conta do aumento do risco", argumentou André Nassif.

    "Mas esse aumento do risco é um fator comum a todos os países emergentes, porque quando você tem uma crise que desencadeia pânico, os agentes querem se afugentar buscando refúgio em praças financeiras internacionais de menor risco. E esse refúgio vai se dar basicamento nos países desenvolvidos, em especial nos EUA", completou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Brasil no combate ao coronavírus no início de maio (66)

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    Tags:
    economia, COVID-19, Fitch Ratings, Fitch
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