16:12 01 Outubro 2020
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    Enquanto a China testou seu novo foguete pesado Longa Marcha 5B, o país poderá ter um polígono na Lua, se tornando forte concorrente às ambições americanas no satélite da Terra.

    Ontem (5), se deu o primeiro e bem-sucedido teste do foguete pesado chinês Longa Marcha 5B.

    O evento coincidiu com anúncio feito pelos EUA sobre o preparo de um acordo internacional sobre a exploração dos recursos na superfície lunar.

    Ao mesmo tempo, os EUA desenvolvem os acordos Artemis, que visa a exploração da Lua e que deverá contar com a parceria da União Europeia, Canadá, Japão e dos Emirados Árabes Unidos.

    Por sua vez, a Rússia, principal parceiro da NASA no uso da Estação Espacial Internacional, não deverá tomar parte do acordo em sua primeira fase, assim como a China.

    A razão disso seria a percepção do espaço como uma área cada vez mais disputada pelos países.

    Lua para os americanos?

    Comentando o assunto à Sputnik China, o especialista do Instituto de Aviação de Moscou Sergei Filipenkov explicou a razão de a China e a Rússia não entrarem no contexto do programa americano.

    Segundo o especialista, Donald Trump planeja reclamar para seu país partes da Lua e se apoderar de seus recursos sem a Rússia e a China.

    Ao mesmo tempo, ambos os países seriam fortes concorrentes na busca por tais recursos.

    "O programa espacial chinês está repetindo, por enquanto, as conquistas da URSS. É muito provável que nos próximos 10 anos os chineses irão usar as ideias dos engenheiros soviéticos e depois de 2030 os astronautas chineses também desembarcarão na Lua," afirmou Filipenkov.

    A razão de sua crença se baseia nas capacidades tecnológicas do gigante asiático.

    Da mesma forma, a Rússia também deverá enviar seus cosmonautas ao satélite natural da Terra depois de 2030, afirmou o especialista.

    "Se a China tiver possibilidades financeiras e investir grandes meios em tal programa, então ela o executará facilmente. Não existem grandes problemas técnicos e médicos para o desembarque chinês,” acrescentou.

    Chineses na Lua em 2025?

    Ainda de acordo com o especialista, a China está desenvolvendo tecnologia para o desembarque de tripulação na Lua, o que deverá ser concluído até o ano de 2025.

    Na ocasião, os chineses poderão construir na superfície lunar um polígono para pesquisas e preparar uma área de desembarque de astronautas.

    Por sua vez, apesar dos planos da NASA, Filipenkov acredita que a agência não deverá conseguir enviar pela segunda vez seus astronautas à Lua entre 2024 e 2025.

    Novo foguete

    Um passo fundamental para a viagem até à Lua poderia ser o bem-sucedido teste do Longa Marcha 5B.

    "Obviamente, o Longa Marcha 5B foi desenvolvido para isso. Ele será necessário para criar uma base na Lua e desenvolver lá a infraestrutura para futuras pesquisas. O Longa Marcha 5B é um foguete pesado, tal como o russo Proton, o qual em seu tempo foi desenvolvido e designado para pesquisas não-tripuladas na Lua, assim como o sobrevoo da Lua sem o desembarque em sua superfície. A China poderá sem dúvidas realizar seu programa lunar com a ajuda do Longa Marcha 5B.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    foguete, exploração espacial, Rússia, EUA, China, programa espacial, espaço
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