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    Pandemia da COVID-19 e o mundo no início de maio (100)
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    Os EUA estão promovendo uma iniciativa de realizar um inquérito internacional "independente" sobre as origens do coronavírus e a suposta culpabilidade da China pela disseminação da COVID-19.

    Os EUA lançaram uma ofensiva midiática contra Pequim e estão forjando uma coalizão internacional anti-China, enquanto a República Popular está realizando uma iniciativa global de assistência à saúde, tendo em grande parte freado o surto, diz o Dr. Heinz Dieterich, coordenador do Projeto Mundial de Pesquisa Avançada (WARP, na sigla em inglês), à Sputnik Internacional.

    No domingo (3), Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, alegou que há provas "enormes" de que o vírus veio de um laboratório de virologia em Wuhan, mas não apresentou nenhuma prova para sustentar a suposição.

    A China negou resolutamente as alegações de que o coronavírus foi cultivado artificialmente ou escapou do laboratório de Wuhan, citando o consenso científico de que o SARS-CoV-2 surgiu naturalmente.

    Da mesma forma, Pequim rejeitou a ideia de um inquérito internacional sobre as origens da doença, explicando que, em primeiro lugar, a ação parece ser "uma iniciativa de motivação política" e, em segundo lugar, que não é o momento certo para lançar uma investigação em meio à luta contra a pandemia.

    Nova campanha ao estilo da Guerra Fria

    O que está acontecendo é uma nova campanha de difamação ao estilo da Guerra Fria contra a China e sua liderança, impulsionada pelos EUA, que estão tentando desviar a culpa pelo seu fracasso em conter o vírus para Pequim, diz o Dr. Heinz Dieterich, diretor do Centro de Ciências da Transição (CCT) da Universidade Autônoma Metropolitana da Cidade do México e coordenador do WARP.

    Segundo o professor, a República Popular da China tem boas razões para desconfiar do inquérito "independente" defendido pelos Estados Unidos, dado o longo histórico de esforços de intimidação do Ocidente contra a China. Para ilustrar seu ponto, Heinz delineou cinco "batalhas estratégicas" travadas pelos EUA e seus aliados para exercer pressão sobre a China e minar sua ascensão.

    1. Nos anos 50, os EUA ameaçaram abertamente a China com o uso de armas nucleares durante a crise coreana e até consideraram bombardear "a Coreia do Norte e a China comunista, se necessário, para acabar com a Guerra da Coreia", segundo documentos citados pelo jornal The New York Times em 1984.

    Além disso, Washington emitiu uma ameaça nuclear contra o país asiático em 1955, durante a Primeira Crise do Estreito de Taiwan, a fim de apoiar o governo de Taiwan.

    2. Após o fracasso de sua política de chantagem nuclear, os líderes do pensamento dos EUA, incluindo o grande mestre da teoria do mercado livre Milton Friedman, elaboraram uma nova "abordagem de mercado" em relação à China, continua o professor.

    Eles sugeriram que um desenvolvimento econômico baseado no mercado, aliado a uma maior integração com o mundo exterior e ao surgimento da nova classe média chinesa, iria no longo prazo "liberalizar" a China e colocar um fim à "era comunista".

    Chinesa abaixa máscara para tirar uma selfie, em Wuhan, capital da província de Hubei, na China, 13 de abril de 2020
    © AP Photo / Ng Han Guan
    Chinesa abaixa máscara para tirar uma selfie, em Wuhan, capital da província de Hubei, na China, 13 de abril de 2020

    "O argumento técnico da escola neoclássica [neoliberalismo] de que a capacidade computacional das instituições estatais nunca será suficiente para coordenar uma economia de mercado moderna é agora basicamente refutado pelo desenvolvimento da Internet e da capacidade computacional", explica Heinz, se referindo ao fato de que a liderança política chinesa adaptou eficientemente o país às mudanças do ambiente de mercado global.

    Guerra monetária

    3. A administração Trump iniciou uma guerra comercial contra a China visando, em particular, o plano estratégico de Pequim "Made in China 2025", uma diretriz de 10 anos de como transformar o país de "fábrica do mundo" em uma potência independente de alta tecnologia.

    Washington procurou "manter o controle oligopolista das empresas americanas sobre as indústrias globais de alta tecnologia decisivas, destruindo a iniciativa de 2025 do Partido Comunista da China", sugere Heinz, acrescentando que os EUA não tinham força para vencer essa "guerra", já que os gigantes tecnológicos chineses conseguiram reunir um apoio substancial em todo o mundo.

    4. Quando os EUA se tornaram o epicentro global da pandemia da COVID-19, Trump desencadeou um "jogo de culpa de guerra psicológica" sobre Pequim, buscando "forjar uma coalizão global anti-China que, judicialmente, demandará trilhões de dólares em prejuízos pelo suposto 'encobrimento' chinês e 'negligência' em relação ao surto original", diz Dieterich.

    Rua praticamente vazia em Missouri, nos EUA
    © AP Photo / Charlie Riedel
    Rua praticamente vazia em Missouri, nos EUA

    Após o processo do Missouri e Mississippi, o escritório de advocacia norte-americano Berman Law Group iniciou um processo judicial coletivo contra a China nos estados de Flórida e Texas, procurando conseguir mais de US$ 6 trilhões (R$ 33,3 trilhões) em indenizações.

    No entanto, de acordo com especialistas em direito citados pela Newsweek, as chances de que esses processos permitam obter quaisquer resultados tangíveis são muito pequenas.

    Poder da propaganda

    5. Finalmente, agora está se desenrolando a batalha decisiva do poder brando pelos corações e mentes, de acordo com o acadêmico: os EUA e seus aliados estão lutando para minimizar o sucesso da China em conter a pandemia da COVID-19 e demonizar o esforço global de saúde de Pequim como inconsistente e politizado.

    No entanto, como destacou Zhang Ming, o enviado chinês à União Europeia, em 24 de abril, a República Popular da China continuará ajudando outros a combater o coronavírus e salvar tantas vidas quanto possível, não importando que tipo de rótulos sejam dados ao programa de ajuda do país, escreveu o portal China.org.

    Segundo Heinz, a China tem boas chances de vencer esta batalha mantendo sua aliança estratégica com a Rússia, sustentando sua iniciativa Rota da Seda da Saúde Mundial e seguindo seu rumo político estabelecido.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Pandemia da COVID-19 e o mundo no início de maio (100)
    Tags:
    Donald Trump, Mike Pompeo, EUA, China, COVID-19
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