11:07 24 Setembro 2020
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    Situação em torno da pandemia de COVID-19 no fim de abril (140)
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    Em uma publicação da Associated Press se analisa como o fator demográfico, as deficiências no sistema de cuidados médicos, além de interesses políticos e comerciais, foram fatais para esta região italiana.

    A Itália foi o primeiro país do Ocidente a impor medidas restritivas para frear a propagação do coronavírus. Além do mais, foi o primeiro país europeu que suspendeu todo o tráfego aéreo com a China em 31 de janeiro e inclusive conferiu a temperatura de passageiros com febre em aeroportos. Contudo, parece que estas medidas já foram tomadas muito tarde.

    Hoje, o número total de mortes causadas pelo novo coronavírus na Itália é superior a 27 mil, o que coloca o país em segundo lugar depois dos EUA.

    No entanto, chama a atenção o caso da Lombardia. Localizada no norte da Itália, esta região chegou a ser a mais afetada no país da Europa que mais sentiu os efeitos da COVID-19.

    Ali, o vírus derrubou um sistema de saúde que durante muito tempo foi considerado um dos melhores da Europa. A cifra oficial de falecimentos na Lombardia é de mais de 13.000, a metade do total da Itália. Ainda assim este número pode ser maior, já que não foram contabilizados todos os idosos falecidos em centros geriátricos.

    Segundo o artigo publicado pela Associated Press, foram uma série de fatores que contribuíram para a "tormenta perfeita" na Lombardia, onde o elemento demográfico e as deficiências de cuidados de saúde coincidiram com interesses políticos e comerciais.

    Epidemiologistas afirmam que o vírus esteve circulando amplamente na região desde o começo de janeiro ou antes. Porém, o primeiro caso foi registrado na Itália em 21 fevereiro, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda insistia que o vírus era "controlável" e não tão infeccioso como a gripe.

    'O fator determinante'

    Um dos fatores chave da tragédia poderia ser a dependência do sistema sanitário do país do atendimento a domicílio. "Provavelmente, será o fator determinante pelo qual temos uma taxa de mortalidade tão alta na Itália", cita a publicação o pneumologista italiano Maurizio Marvisi.

    A Itália se viu obrigada a recorrer a esta medida em parte devido a sua baixa capacidade em unidades de terapia intensiva (UTI). Depois de anos de cortes orçamentários, o país entrou em uma crise sanitária com baixa quantidade camas em UTI, muito abaixo do recomendado pela OCDE.

    Além do mais, o país mostrou sua deficiência no atendimento médico familiar. Aos funcionários deste setor faltou informação sobre o vírus, equipamentos de proteção e, sobretudo, os testes para detectar o coronavírus. O pessoal médico não podia saber se estava contagiado, porque os testes estavam disponíveis somente para os que tinham sintomas graves, já que os laboratórios locais não davam conta da alta demanda. Como consequência deste fator, cerca de 20 mil médicos italianos se infectaram e 150 faleceram.

    Especialistas médicos russos em hospital de Bergamo, na Itália
    © Sputnik / Ministério da Defesa da Rússia
    Especialistas médicos russos em hospital de Bergamo, na Itália

    Uma das causas que também facilitou a propagação do novo coronavírus na região foi a gestão da crise a nível regional, já que as autoridades de algumas províncias e localidades tardaram semanas a reagir impondo medidas de restrição, como foi o caso de Alzano na província de Bergamo.

    Coração industrial do país

    Outro fator que teve um papel relevante na rápida propagação do coronavírus paradoxalmente foi o que sempre se apresentou como uma vantagem da Lombardia. Com 10 milhões de habitantes, é a região mais densamente povoada e o coração industrial do país.

    Os sindicatos e prefeitos de algumas das cidades mais afetadas da Lombardia agora dizem que o principal grupo de pressão industrial do país, Confindustria, se esforçou enormemente para impedir bloqueios e interrupções na produção, já que o custo econômico seria muito grande em uma região responsável por 21% do PIB da Itália.

    Até mesmo após o governo italiano fechar a Lombardia, se permitiu que algumas fábricas permanecessem abertas, o que provocou greves.

    Os trabalhadores estavam preocupados que se sacrificaria sua saúde para manter o funcionamento do setor industrial do país. Contudo, quando a Itália começar uma reabertura gradual, a Lombardia será provavelmente a última região a se abrir por completo.

    Hoje, o governo italiano investiga possíveis falhas na gestão da pandemia pelas autoridades locais de saúde e os governos regionais, que poderiam ter agravado a situação.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Situação em torno da pandemia de COVID-19 no fim de abril (140)

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    Tags:
    vírus, pandemia, COVID-19, novo coronavírus, Lombardia, Itália
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