16:16 01 Outubro 2020
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    A presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, declarou acreditar existirem "crimes de sobra" para fundamentarem o afastamento de Bolsonaro da chefia do poder executivo e declarou que "com Bolsonaro não dá para seguirmos".

    Em conversa com a Sputnik, a presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, declarou ser favorável à abertura de processo de impeachment contra o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

    "Nós vemos ilegalidade de sobra para acionar qualquer mecanismo de retirada de Bolsonaro", declarou Hoffmann, classificando o presidente de "criminoso".

    "Ele já cometeu inúmeros crimes: crimes de responsabilidade, crimes comuns e crimes eleitorais. Portanto, temos um rol farto de crimes que dão base para que ele deixe de ser presidente", declarou, lembrando que "as condições políticas institucionais que vão viabilizar esse afastamento".

    Para ela, o presidente do Brasil "não cumpre o papel de coordenador de todos estados federativos no enfrentamento à crise" e, "ao invés de juntar nação para fazer esse enfrentamento, ele aposta na divisão".

    "[Bolsonaro] aposta no caos para talvez poder lá na frente propor um fechamento do regime e uma concentração de poder nas mãos dele. Isso é muito preocupante", declarou Hoffmann.

    Alertando que a retração econômica pode levar à volta da fome no país, Gleisi Hoffmann acredita que a pandemia pode gerar levantes populares no Brasil.

    Gleisi Hoffmann, deputada federal pelo estado do Paraná e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT)
    © Foto / Gustavo Bezerral
    Gleisi Hoffmann, deputada federal pelo estado do Paraná e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT)

    "Nós vamos entrar em uma depressão com as mortes que teremos, e é bem possível que a resposta popular venha nesse sentido", ressaltou.

    "A economia brasileira e a renda no Brasil estão sofrendo muito. O próprio Fundo Monetário Internacional [FMI] disse que o Brasil vai ter o PIB negativo em mais de cinco pontos percentuais. Isso é uma tragédia."

    Para ela, as medidas de proteção social adotadas pelo governo Bolsonaro são insuficientes.

    "As medidas que o governo está tomando agora para resguardar emprego, renda e o serviço de atividades das empresas são medidas muito tímidas", lamentou.

    Sanções Econômicas

    Ao tratar da política internacional, a presidente do PT defendeu que sanções econômicas devem ser retiradas, para que países possam ter recursos suficientes para combater a COVID-19.

    "As sanções econômicas devem ser suspensas. Para mim, não só na epidemia, porque [...] quem sofre é o povo [...] desses países, e isso é muito triste", lamentou.

    No entanto, esses mecanismos, muitas vezes impostos de forma unilateral por potências econômicas como os EUA, são particularmente prejudiciais durante a pandemia de COVID-19.

    "Em uma época [...] de pandemia como essa, é uma crueldade – eu diria que é um crime [...] as sanções impostas à Venezuela, a Cuba. Temos denunciado isso e temos solidarizado com os povos desses países", disse.

    Em março, os representantes permanentes das Nações Unidas de países como Rússia, China, Síria, Cuba, Coreia do Norte, Irã, Nicarágua e Venezuela enviaram carta ao secretario-geral da instituição, António Guterres, solicitando o fim das sanções econômicas unilaterais, em função da pandemia de COVID-19.

    Crianças brincam em tanque fora de operação no bulevar Los Proceres, em Caracas, 26 de abril de 2020
    © REUTERS / Manaure Quinero
    Crianças brincam em tanque fora de operação no bulevar Los Proceres, em Caracas, 26 de abril de 2020

    No entanto, uma resolução nesse sentido apresentada pela Rússia à Assembleia Geral da ONU foi bloqueada na semana passada, em função da oposição dos Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, Ucrânia e Geórgia.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Sérgio Moro, impeachment, Bolsonaro, COVID-19, pandemia
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