22:31 04 Junho 2020
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    Os preços do petróleo ainda não registraram uma forte subida desde a assinatura de um novo acordo entre os maiores países produtores de petróleo do mundo, mas analistas dão estimativas a médio prazo.

    Após 4 dias de negociações, os membros da OPEP+ concordaram em reduzir a produção mundial de petróleo em cerca de 13%. No entanto, os preços mundiais do petróleo na tarde de segunda-feira (13) não mostram uma tendência definida, caindo periodicamente na "zona vermelha" após um forte crescimento no início das negociações.

    Especialistas contaram à Sputnik Árabe por que não há crescimento e se ele depende das novas condições de produção de petróleo.

    Ninguém esperava um salto

    Rustam Tankaev, membro do Comitê de Estratégia Energética e Desenvolvimento do Complexo de Combustíveis e Energia da Câmara de Comércio e Indústria da Federação da Rússia, referiu que ninguém esperava um salto brusco nos preços do petróleo até os indicadores pré-crise.

    "Não era esperado um aumento sem precedentes nos preços. É quase impossível determinar a queda na demanda no mercado mundial nas condições atuais. Há várias estimativas e previsões, e a OPEP dá o [valor] mínimo. De fato, foi essa redução que os países produtores de petróleo criaram agora."

    "Mas talvez seja necessário cortar não apenas 10 milhões de barris por dia, mas 20 ou mesmo 35. Ou seja, do ponto de vista dos participantes do mercado, a decisão tomada foi fraca demais", disse.

    Todos têm que reduzir produção

    Por sua vez, Muhammad Surur al-Sabban, especialista saudita no setor petrolífero, acredita que os preços do petróleo só começarão a subir ativamente quando todos os países produtores de petróleo sem exceção reduzirem a produção, não apenas aqueles que entraram no novo acordo da OPEP+.

    "Só podemos esperar que os países que não participaram do acordo também reduzam a produção, em primeiro lugar, os Estados Unidos e o Canadá. Se eles cortarem a produção em pelo menos 5 milhões de barris por dia, o petróleo começará a crescer ligeiramente. Se não o fizerem, os preços continuarão a cair, tal como aconteceu desde manhã na segunda-feira [13]", disse à Sputnik.

    Continuando a conversa sobre os países que não entraram no acordo, o especialista saudita continuou:

    "Tenho certeza de que os países exportadores de petróleo que ficaram de fora do acordo OPEP+ também entendem sua responsabilidade pelo mercado mundial de petróleo: eles também terão que participar do seu resgate. Sim, devido às condições da legislação nacional, os EUA e o Canadá não podem participar do acordo da OPEP+."

    Logotipo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), perto de um sinal de trânsito, é visto fora da sede da OPEP em Viena, Áustria, 9 de abril de 2020
    © REUTERS / Leonhard Foeger
    Logotipo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), perto de um sinal de trânsito, é visto fora da sede da OPEP em Viena, Áustria, 9 de abril de 2020

    "Mas eles próprios podem reduzir a produção de petróleo de acordo com as necessidades do mercado. Mas na situação atual também valeria a pena considerar o congelamento temporário da proibição de participação em cartéis domésticos."

    Preços atuais são 'pagamento' pelos anos anteriores

    Aleksei Zubets, diretor do Instituto de Estudos Socioeconômicos da Universidade de Finanças do Governo da Federação da Rússia, acredita que o mercado está pagando agora pelo incrível boom petrolífero de há dez anos.

    "Os produtores de petróleo estão pagando pelos enormes recursos que foram investidos na capacidade de produção entre 2010 e 2014, quando os preços se mantinham estáveis acima de US$ 100 [R$ 520, por barril]. Os altos preços do petróleo lançaram projetos de investimento que criaram novas capacidades."

    "Se todos os países tivessem mantido os preços em um nível mais baixo, isso não teria acontecido. Agora vai levar vários anos para remover do mercado o excesso de capacidade de produção de petróleo", afirma.

    Previsões de preços

    Todos os especialistas concordam que as perspectivas de crescimento dos preços do petróleo no curto prazo são muito pouco animadoras. Entretanto, a partir de junho, a situação vai melhorar, mas os preços serão mais baixos do que o desejado por enquanto.

    Rustam Tankaev vê o mecanismo de aumento de preços da seguinte forma:

    "Todo o problema da demanda começou com a China. Como se sabe, o país já restaurou sua capacidade industrial em 90% após o levantamento da quarentena, e continua fazendo isso. Sim, eles têm certas reservas de petróleo, mas não vão durar mais que 4 meses, então eles começarão de novo a importar a matéria-prima nos mesmos volumes.

    "Mas não é a China que está atrasando o aumento dos preços, é a Europa: o consumo aqui caiu muito, e continua em queda, o que acaba compensando o aumento do consumo na China. Mas eu acho que até junho o consumo vai recuperar, os preços vão subir."

    Contudo, Muhammad Al-Sabban dá uma avaliação um pouco menos otimista. Mas que vai haver crescimento, haverá.

    "Acho que nos tempos mais próximos os preços não vão subir muito. A demanda por petróleo será baixa por causa da parada real da economia mundial, especialmente no segundo trimestre."

    "Provavelmente, os preços só começarão a crescer de forma convincente depois que a produção e a economia mundial comecem a se recuperar, voltando ao cronograma de trabalho padrão. Até a quarentena acabar totalmente, o petróleo não subirá acima de US$ 30 [R$ 156] por barril", concluiu o especialista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Europa, China, Rússia, Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Sputnik Arábia, Canadá, Arábia Saudita, EUA
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