11:13 26 Maio 2020
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    A base NAMRU-6, na Amazônia peruana, tem sido um centro de pesquisa de armas biológicas por parte dos EUA na região, afirma um ativista chileno, referindo o sucedido em Cuba em 1981.

    O Observatório para o Encerramento da Escola das Américas alertou sobre pesquisas bacteriológicas e de doenças tropicais que estão sendo realizadas no Peru, Amazônia, pela base NAMRU-6 da Marinha dos EUA.

    "No Peru, os Estados Unidos têm uma série de bases militares, algumas supostamente envolvidas no tráfico de drogas", disse Pablo Ruiz, o porta-voz do observatório. Mas ele enfatizou "uma base militar que estamos monitorando, que pertence à Marinha" dos EUA, referindo-se à NAMRU-6, a Unidade Seis de Pesquisa Médica Naval.

    "Faz pesquisas sobre doenças patológicas e infecciosas, e estamos muito preocupados porque está perto da Amazônia, e eventualmente nessa base militar poderiam estar preparando armas biológicas", conta à Sputnik Mundo.

    O ativista chileno relatou o que sucedeu em 1981, quando "Cuba sofreu a febre hemorrágica da dengue que foi causada intencionalmente, matando 158 pessoas, incluindo 101 crianças. Portanto, não nos surpreende muito que os militares americanos estejam fazendo pesquisas sobre doenças infecciosas".

    "Na situação que a humanidade está vivendo atualmente, seria muito bom se o órgão da ONU que garante que nenhum país seja produtor de armas de destruição em massa pudesse visitar esta base e ver o que eles estão fazendo aí com doenças infecciosas", refere Ruiz.

    O Observatório também está trabalhando para fechar a Escola das Américas, onde foram treinados dezenas de milhares de militares do continente que participaram em ditaduras latino-americanas das décadas de 1970 e 1980.

    Foi fundada no Panamá em 1946 e é conhecida como Escola das Américas desde 1963. Em 1984 mudou-se para Fort Benning, Geórgia, nos Estados Unidos, após a assinatura dos Tratados Torrijos-Carter, que devolveram o Canal do Panamá ao país centro-americano.

    Em 2001, esta instituição de instrução militar e policial foi renomeada Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança (Western Hemisphere Institute for Security Cooperation). No entanto, "seu propósito não mudou", disse Ruiz à agência.

    O ativista referiu como exemplos sua cumplicidade no assassinato da ativista indígena e ambiental hondurenha Berta Cáceres em 2016 e o papel do comandante que pediu a demissão de Evo Morales na Bolívia.

    A repressão e os EUA

    O Observatório para o Encerramento da Escola das Américas acredita que não é surpreendente que, enquanto a América Latina encerrava 2019 com um ciclo de protestos sociais sem precedentes, o comandante do Comando Sul norte-americano, Craig Faller, anunciou no Congresso de seu país que aumentará a presença militar na região.

    Pablo Ruiz também salientou que "encontramos uma relação direta dos Estados Unidos com a repressão na América Latina". Ele mencionou o caso de Honduras, "outro país altamente reprimido que tem uma grande colaboração com Washington e uma base militar em Soto Cano, enquanto seu Exército e sua Polícia são treinados pelos Estados Unidos".

    Por trás da repressão "há uma questão fundamental: hoje os protestos sociais questionam o modelo neoliberal, que está sendo implementado pelos Estados Unidos com as empresas transnacionais que financiam a política naquele país", conclui o funcionário do Observatório para o Encerramento da Escola das Américas.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Evo Morales, Berta Cáceres, Bolívia, Lenín Moreno, Equador, Marinha dos EUA, Amazônia, Honduras, Chile, Peru, América Latina, EUA
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