10:53 26 Maio 2020
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    O Departamento de Justiça dos EUA acusou o presidente da Venezuela de narcoterrorismo e ofereceu recompensa para quem ajudar a capturá-lo. Para cientista político, isso é um sinal de que Washington pode apelar a uma intervenção militar contra Caracas.

    O cientista político venezuelano Basem Tajeldine disse à Sputnik Mundo que a acusação de Washington pode ser prelúdio para uma intervenção militar dos EUA no país sul-americano.

    "Trata-se de um alerta claro de agressão direta, de intervenção direta, até mesmo de uma intervenção militar dos EUA neste período sensível [...] de pandemia de coronavírus", disse Tajeldine.

    O cientista político ainda notou a "luta bem-sucedida" da Venezuela contra a COVID-19, "com o auxílio de China e Cuba".

    Os EUA ofereceram uma recompensa de US$ 15 milhões (cerca de R$ 76 milhões) por informações que levem à prisão do presidente Nicolás Maduro. Dessa forma, Washington estaria efetivamente "provocando um golpe de Estado".

    "Estão procurando um traidor dentro do Exército [venezuelano]. Procura-se gerar com isso um desastre que nestes últimos anos de governo [os EUA] não conseguiram fazer", disse.

    De acordo com o analista, as ações de Washington não são menos que um "crime contra a humanidade, que afetaria ainda mais a população da Venezuela, que já sofre há vários anos com as sanções econômicas, com a agressão criminosa [...] que viola o direito internacional".

    Membro de brigada de desinfecção da Proteção Civil se preparando para tratar superfícies com solução desinfetante no Hospital General de Lídice Dr. Jesús Yerena, em Caracas, Venezuela, 22 de março de 2020
    © Sputnik / Magda Guibelli
    Desinfecção de hospital na Venezuela

    Tajeldine ainda classificou a acusação da Casa Branca de narcoterrorismo como "hipócrita".

    "Eles acusam a Venezuela de tráfico de drogas, mas todos devem se perguntar: onde essas drogas são produzidas? Na Colômbia. Onde estão instaladas 11 bases militares dos EUA? Onde está a DEA [agência norte-americana de combate ao narcotráfico]? Na Colômbia", questionou.

    O analista disse que, com o apoio da DEA, agência norte-americana de combate ao narcotráfico, os cartéis colombianos estariam usando o espaço aéreo venezuelano para transportar drogas. Por isso, segundo ele, os EUA "acusam a Venezuela de ser um país de trânsito".

    Tajeldine contou que, "com apoio de radares fornecidos pela Rússia e pela China", a Venezuela foi capaz de combater o narcotráfico nos últimos anos.

    "Por que não se ataca o narcotráfico no país onde [as drogas] são produzidas [Colômbia] e [no país] onde são consumidas [EUA]?", perguntou Tajeldine.

    "Por que usam a Venezuela desta forma absurda, criminosa, vulgar e cínica? [...] Para agredir um governo legítimo como é o o governo de Nicolás Maduro", acrescentou.

    Cachorro iluminado por farol de carro durante blackout em Maracaibo, na Venezuela, após suspeita de ataque cibernético contra hidroelétrica no país, em maio de 2019
    © AP Photo / Rodrigo Abd
    Cachorro iluminado por farol de carro durante blackout em Maracaibo, na Venezuela, após suspeita de ataque cibernético contra hidroelétrica no país, em maio de 2019

    Nesta sexta-feira (27), o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, refutou as acusações feitas pelos EUA de que estaria envolvido em tráfico de drogas: "Eles apresentaram novas acusações falsas. A Venezuela está na linha da frente no combate ao narcotráfico há 15 anos", argumentou.

    Na quinta-feira (26), os EUA acusaram o presidente venezuelano de narcoterrorismo e ofereceram uma recompensa de US$ 15 milhões (cerca de R$ 75 milhões) a quem o entregar às autoridades dos EUA.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    sanções econômicas, EUA, Venezuela
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