23:50 19 Setembro 2020
Ouvir Rádio
    Análise
    URL curta
    133
    Nos siga no

    Na sexta-feira (20), Luis Almagro foi reeleito secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA). A Sputnik Brasil ouviu um especialista em Relações Internacionais que explicou o que isso significa para o Brasil.

    Para Fernando Almeida, coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), a eleição de Almagro se inclui dentro dos interesses do atual governo do Brasil.

    "O interesse brasileiro é que ele continue apoiando as políticas mais conservadoras da atual política externa brasileira com vistas a um realinhamento do hemisfério em torno dos Estados Unidos", diz o professor em entrevista à Sputnik Brasil.

    Almagro alcançou a reeleição com 23 dos 34 votos possíveis. Sua principal concorrente, a ex-chanceler do Equador, María Fernanda Espinosa, teve 10 votos. A votação foi envolta em polêmica, uma vez que diversos representantes dos países membros defendiam o adiamento da eleição devido à pandemia da COVID-19.

    ​A segunda colocada na eleição tem uma visão oposta à de Almagro em questões como a da Venezuela. Espinosa defende a manutenção de um diálogo permanente com o governo venezuelano, enquanto Almagro representa o grupo de países que se opõe ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e apoia seu opositor, Juan Guaidó, que estava representado na votação em Washington.

    "O que o Almagro vai pegar nos próximos cinco anos é também uma OEA bastante polarizada e essas discussões vão continuar. Aí o apoio brasileiro a ele é muito importante", avalia.

    Sobre isso, o professor Almeida também aponta que a OEA é uma entidade historicamente alinhada aos EUA, cujo secretário de Estado, Mike Pompeo, deu apoio à reeleição de Almagro.

    "A pressão que os Estados Unidos sempre conseguiram exercer sobre os países menores vai continuar, embora haja vários países menores que discordem dessa orientação. O Brasil vinha discordando disso, evidentemente. E dentro de um projeto mais voltado para a América Latina foi até criada a UNASUL, em 2008, da qual o nosso governo se retirou no ano passado e agora está praticamente eliminada", explica Almeida.
    Luis Almagro, secretário-geral da OEA
    © AP Photo / Jacquelyn Martin
    Luis Almagro, secretário-geral da OEA

    A influência dos EUA sobre a OEA, defende o professor, também abala a importância da própria organização diante da comunidade internacional.

    "A importância dela é bastante relativa por conta dela ser vista como um órgão em que os interesses dos Estados Unidos são predominantes", aponta.

    Essa visão internacional sobre o órgão supera a posição oficial da OEA, que se afirma como uma organização que visa o consenso e o equilíbrio.

    "O Almagro diz isso o tempo inteiro. Quando ele foi eleito em 2015, ele disse que o objetivo dele era restabelecer a credibilidade da OEA. Seria interessante ele especificar também a que período de credibilidade ele está se referindo.

    Eleito como secretário-geral da OEA em 2015, Almagro, que já foi chanceler do Uruguai durante o governo de Pepe Mujica, entre 2010 e 2015, permanece no cargo até 2025 com a reeleição.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Mais:

    Secretário da OEA admite que diálogo com Guaidó consolidou Maduro na Venezuela
    Relatório preliminar da OEA pede novas eleições na Bolívia
    Luis Almagro é reeleito secretário-geral da OEA
    Tags:
    Mike Pompeo, novo coronavírus, COVID-19, Organização dos Estados Americanos (OEA), Juan Guaidó, Nicolás Maduro, Venezuela, Estados Unidos, Luis Almagro
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar