23:06 10 Julho 2020
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    Eventual governo liderado por Benny Gantz em Israel diminuiria pressão pela mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, disse professor de Relações Internacionais para a Sputnik Brasil.

    "Vai haver menos pressão de um eventual governo Gantz para mudar a embaixada para Jerusalém", disse o cientista político Samuel Feldberg.

    Apesar disso, o professor da USP não enxerga "nenhuma mudança importante nas relações" entre Brasil e Israel "se houver uma troca de governo".

    A transferência da embaixada brasileira de Jerusalém para Tel Aviv, seguindo medida adotada pelo governo dos Estados Unidos, é uma promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro.

    O atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, grande aliado do chefe de Estado brasileiro, já disse em mais de uma oportunidade que Bolsonaro lhe garantiu que a mudança seria efetivada.

    Relações 'vão continuar no nível que estão'

    Mas o longo período do premiê israelense no poder pode estar perto do fim. Após indicações das lideranças partidárias, o presidente de Israel, Reuven Rivlin, convidou Benny Gantz, do partido oposionista Azul e Branco, a formar governo.

    Segundo Felderg, mesmo se Gantz assumir o governo, as relações entre Brasil e Israel "vão continuar no nível que estão, com uma troca muito importante na área tecnológica".

    O que mudaria, segundo ele, é a proximidade entre Netanyahu e Bolsonaro.

    'Aspecto peculiar da relação entre os dois líderes'

    "O que vai desaparecer é o aspecto peculiar da relação pessoal entre os dois lideres", disse Felderg, que no momento leciona temporariamente na Universidade de Tel Aviv.

    O professor da USP, no entanto, ressalta que o "triângulo" de amizade formado entre Bolsonaro, Netanyahu e o embaixador israelense no Brasil, Yossi Shelley, se romperia.

    "A relação especial entre Netanyahu e Bolsonaro é alavancada significativamente pelo embaixador israelense no Brasil, que cria um triangulo de relações que certamente não vai se manter se houver uma troca de governo. Nem o embaixador vai ficar no Brasil, nem existe essa identidade ideológica entre Gantz e as ideias propagadas por Bolsonaro”, disse.

    'Israel não vai deixar de ser o que é'

    Feldberg frisou também a admiração do eleitorado evangélico, um dos principais grupos de apoio do presidente brasileiro, por Israel, que não deixará de "ser o país que é".

    "A admiração pelas realizações de Israel trazem essa aproximação, e nesse sentido acho que a relação vai se manter. Israel não vai deixar de ser o pais que é se houver uma mudança de governo", disse o especialista.

    Mas o professor da USP faz uma ressalva importante. Para ele, o cenário político ainda é incerto, e Gantz pode fracassar, mais uma vez, na tentativa de formar governo, assim como já ocorreu anteriormente com Netanyahu.

    "A melhor palavra, sem dúvida, é incógnita. Pode ser que ainda tenhamos a quarta rodada de eleições em pouco mais de um ano no país", afirmou.

    Julgamento de Netanyahu

    Em meio a tudo isso, Netanyahu está prestes a enfrentar um julgamento por corrupção, que começaria nesta terça-feira (17), mas, por conta do coronavírus, foi adiado para 24 de maio.

    Segundo Feldberg, a mudança acabou favorecendo o primeiro-ministro, pois havia "uma percepção de que o julgamento afetaria sua capacidade de poder ser nomeado para formar governo".

    Agora, se Gantz não obtiver sucesso nesta tarefa, a missão pode retornar para as mãos de Netanyahu antes da data de julgamento.

    Vivendo no momento em Tel Aviv, o professor disse que a sociedade israelense passa por um período de "hibernação" devido ao coronavírus, com "restrições severas" ao funcionamento de escolas, transporte público, restaurantes e lazer.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    embaixada, governo, Tel Aviv, Jerusalém, Israel, Brasil, Jair Bolsonaro, Benjamin Netanyahu, Benny Gantz
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