07:50 05 Abril 2020
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    As perdas da segunda maior economia do mundo no primeiro trimestre de 2020 devido ao surto de coronavírus serão de quase 1 trilhão de yuan (R$ 615 bilhões), ou cerca de 1% do PIB do país, segundo especialista.

    Segundo o pesquisador do centro analítico Taihe, Zhang Jiazhui, os setores de catering, turismo e varejo foram os mais afetados.

    O impacto da epidemia na economia a curto prazo tem sido também constantemente referido pela liderança do país, prometendo que, após a vitória sobre a doença, tanto a demanda dos consumidores como os motores do desenvolvimento econômico se recuperarão.

    No entanto, o analista acredita que o surto de coronavírus pode levar uma série de empresas à falência, apesar dos esforços do governo em medidas sérias de prevenção da propagação da doença, tais como fechar Wuhan e várias outras cidades na província de Hubei.

    "Estas medidas foram realmente necessárias para conter a propagação da epidemia, mas objetivamente também tiveram um impacto significativo na macro e microeconomia da China", disse o especialista.

    Indústrias afetadas

    As primeiras indústrias que sofreram grandes perdas foram as de catering e hotelaria.

    O surto do vírus também teve impacto nas vendas a varejo, mas, graças às vendas online, foi possível compensar em certa medida as perdas do comércio a varejo, esclarece o analista.

    "Segundo estimativas aproximadas, em curto prazo, a mencionada primeira onda da epidemia teve um impacto direto na economia chinesa no primeiro trimestre de 2020, resultando em perdas de quase 1 trilhão de yuan", explica o especialista.

    Com o PIB total da China de 99,08 trilhões de yuans (R$ 61,8 trilhões) em 2019, essas perdas no primeiro trimestre deste ano já estão se aproximando de 1% do PIB.

    Jiazhui destaca que "as perdas das empresas de manufatura são ainda mais preocupantes".

    "A retomada do trabalho está atrasada, mas o aluguel das instalações e os salários foram pagos, como esperado, o que criou uma ameaça óbvia ao fluxo de caixa das empresas", comenta o especialista, explicando que a crise de liquidez pode se transformar em uma ameaça de falência principalmente para as empresas manufatureiras.

    "Embora algumas empresas do setor de catering ganhem uma pequena renda com os serviços de entrega de alimentos, isso é ainda insignificante", indica.

    "O impacto desta epidemia pode ser a gota d'água, por isso devemos também prestar atenção ao impacto a longo prazo deste surto."

    Para deter propagação do coronavírus, homem aplica desinfetante em mercado na China
    © AP Photo / Ahn Young-joon
    Para deter propagação do coronavírus, homem aplica desinfetante em mercado na China

    Segundo ele, para evitar que a crise de liquidez destas empresas passe para risco de falência e para outros "problemas financeiros", são necessárias medidas de resgate adequadas, "que devem ser precisas e rápidas".

    "Por outro lado, é a indústria manufatureira que pode ser afetada pela epidemia a longo prazo, porque inicialmente tem baixa resistência e está agora em uma fase crucial de transformação e modernização. Ao mesmo tempo, o impacto do coronavírus só irá acelerar a seleção natural nesta indústria", acrescentou o especialista.

    Imunidade da economia chinesa

    Para avaliar as consequências da epidemia, segundo o analista, "também é necessário avaliar a resistência da própria economia chinesa, da mesma forma que o vírus afeta pessoas com imunidades diferentes".

    Em resumo, sublinha o especialista, pode-se dizer que esta epidemia tem o maior e mais direto impacto no setor de serviços, especialmente em restaurantes, turismo, transporte e entretenimento, mas os problemas enfrentados pelas empresas que trabalham aqui estão relacionados apenas com a crise de liquidez a curto prazo.

    "Embora existam problemas a curto prazo, ainda não existe risco sistêmico. E a longo prazo, esta situação é na verdade um teste de resistência, é uma maior imunidade para a economia chinesa, o que é fundamentalmente benéfico para o crescimento sustentável e saudável da economia do país", concluiu Jiazhui.

    As autoridades chinesas informaram a Organização Mundial da Saúde sobre um surto de pneumonia desconhecida na cidade de Wuhan, no centro da província de Hubei, no dia 31 de dezembro de 2019.

    A organização reconheceu o surto como uma emergência internacional e nomeou oficialmente a doença COVID-2019. O número de pessoas infectadas na China já ultrapassou 70.000, tendo 1.770 falecido.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Wuhan, doença, PIB, economia, China
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