14:41 09 Abril 2020
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    Terminou nesta sexta-feira a consulta pública do Banco Central que visa facilitar o uso de caixas eletrônicos pelos consumidores, especialmente os clientes de fintechs e bancos digitais.

    Especialista em Finanças e professor do Coppead (Instituto de Pós Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Carlos Heitor Campani, disse à Sputnik Brasil que, embora ainda exista muita incerteza, as chamadas fintechs, empresas que prestam serviços financeiros com processos baseados em tecnologia, têm uma perspectiva muito boa em termos de inovação para o consumidor.

    "A gente está vivendo algo inovador [...] Me parece claro que as fintechs, de uma forma ou de outra, vieram pra ficar. Com a tecnologia, com essa redução de custos, porque é muito caro ter uma porção de agências ao longo do Brasil, e com um monte de funcionários. Então existe um caminho para as fintechs", analisou.

    "Essas instituições financeiras estão navegando em águas que nunca foram navegadas, então quais vão sobreviver é uma grande questão. Por outro lado, a questão de ter agência física tem muito do psicológico, pois a saúde financeira de um banco não está na agência física [...] O grande risco dessas fintechs é que você não sabe quais delas vão inovar na direção certa", acrescentou Carlos Heitor Campani.

    Ao comentar a possibilidade de democratização do acesso a instituições financeiras com o advento das fintechs, o especialista disse que torce para que haja uma competitividade no setor bancário.

    "Qualquer tipo de democratização eu vejo com bons olhos. Você tornar um pouco mais acessível a mais pessoas, eu sou simpático a essa ideia. E a consequência disso é ter melhores produtos, porque com mais competidores, eles precisam se diferenciar, precisam inovar [...] Então isso tem um impulso muito grande em melhores serviços e melhores produtos", completou.

    O Brasil tem uma grande concentração bancária, segundo dados do Banco Central. Em 2018, os 5 maiores bancos do país detinham 81,2% dos ativos totais do segmento bancário comercial. Em 2006, esta proporção era de 60%. Entre outros países emergentes, a China aparece com 37% em 2016, a Coreia do Sul soma 62%, a Índia, 36%, o México, 70%, e Cingapura, 42%.

    ​Já o especialista em fintech e cofundador da consultoria financeira Spiralem, Bruno Diniz, em entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que o Banco Central está fazendo um "trabalho muito interessante, abrindo várias frentes para justamente conseguir aumentar a competitividade no setor". "Eles estão cientes disso e cada vez mais estão criando mecanismos para que a gente tenha mais concorrência no mercado e que ele fique cada vez mais menos concentrado", declarou.

    Ao comentar o impacto que a expansão das fintechs pode ter para o consumidor, o especialista disse que os consumidores ainda estão em processo de assimilação desse mecanismo.

    "Muitas Fintechs cresceram absurdamente e se tornaram bastantes famosas no Brasil, mas ainda existe bastante espaço para que as pessoas conheçam esses novos atores e passem a utilizar o serviço deles", observou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    tecnologia, economia, banco, sistema financeiro
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