10:11 07 Julho 2020
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    Reaproximação dos governos brasileiro e argentino, selada com encontros do chanceler Felipe Solá com Ernesto Araújo e Jair Bolsonaro, "é casamento por conveniência", mas com benefícios para ambos, disse à Sputnik Brasil economista Eduardo Crespo.

    Nesta quarta-feira (12), o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Felipe Solá, reuniu-se com o chanceler Ernesto Araújo no Itamaraty. Depois, ele se encontrou com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. 

    A chancelaria argentina anunciou que o chefe de Estado brasileiro sugeriu um encontro dele com o presidente da Argentina, Alberto Fernández, em 1º de março, em Montevidéu, durante a posse de Luis Lacalle Pou na presidência uruguaia.

    Para Crespo, professor de Economia Política Internacional na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), os dois governos "estão buscando alguma forma de entendimento e convivência".

    Fernández e Bolsonaro trocaram farpas desde a campanha eleitoral argentina até depois de anunciado o resultado da votação. Em um gesto pouco comum na diplomacia, o presidente brasileiro lamentou a vitória do político peronista no pleito.

    'Muito para se perder e pouco para ganhar com briga'

    "Não é amor, é um casamento por conveniência, mas o essencial é manter o matrimônio, mesmo que não seja uma paixão. É preciso frear as hostilidades e manter a situação de calma. Há muito para se perder e pouco para se ganhar com essa briga", disse Crespo à Sputnik Brasil.

    Apesar da mudança de postura entre os dois governos, o professor da UFRJ acha que "ainda é cedo para saber se isso vai se materializar em outras coisas, como acordos comerciais".

    O especialista acredita que a tendência é a aproximação continuar por questões pragmáticas e pelas características do novo governo argentino.

    'Figura de Fernández é de conciliação'

    "A figura de Fernández para a politica argentina é de conciliação, ele não é a Cristina Kirchner [ex-presidente argentina e atual vice]. Fernandez é uma figura que dentro do peronismo procurou uma unidade e foi escolhido precisamente por isso. Iniciou um processo de aproximação com vários setores da sociedade argentina. Não vejo como um governo com essa característica para dentro vá ter para fora uma política de confrontação", ponderou.

    Em termos concretos, o chanceler Felipe Solá disse que pediu ajuda do Brasil na renegociação da dívida argentina com o Fundo Monetário Internacional. Durante o governo de Mauricio Macri, a entidade fez um empréstimo para a Argentina em troca da adoção de uma política de ajuste econômico.

    FMI: 'Brasil tem interesse em renegociação bem sucedida'

    "Aí sim há um matrimônio por conveniência. O Brasil tem interesse que essa renegociação seja bem sucedida por um motivo muito simples: as exportações industriais brasileiras dependem bastante da economia argentina", afirmou.

    Crespo admite, no entanto, que o poder de barganha do Brasil nessa negociação não é grande, mas poderia "ajudar a colocar uma pressão adicional no sentido de se chegar a um acordo com os credores".

    "Se a Argentina se sair bem na negociação, começa a se recuperar e isso vai ter uma repercussão favorável para a economia brasileira", previu.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Ministério das Relações Exteriores, Cristina Kirchner, Peronismo, Crise, FMI, Alberto Fernández, Jair Bolsonaro, diplomacia, comércio, Mercosul, Brasil, Argentina
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