12:07 29 Maio 2020
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    Com a saída do Reino Unido da União Europeia, os empresários brasileiros se preparam para o impacto que o divórcio terá nas exportações brasileiras para a terra da Rainha.

    Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria indicou que, no pior dos cenários, o Brasil pode deixar de exportar para o Reino Unido R$ 736 milhões por ano. Este seria o resultado caso o Brexit aconteça sem nenhum tipo de acordo para regular as taxas e cotas de importação com o resto do mundo e da União Europeia. 

    Para amenizar os efeitos da saída do Reino Unido do bloco europeu, a Embaixada de Londres, a Câmara de Comércio da Grã-Bretanha e as autoridades brasileiras do governo federal criaram o "Brazil Brexit Watch". O objetivo é monitorar e sugerir caminhos para as mudanças que acontecerão. A inciativa fez uma pesquisa com empresários brasileiros que exportam ao Reino Unido e descobriu que 70% deles acredita que o impacto do Brexit nos negócios será negativo. 

    Entre janeiro e novembro de 2019, o Brasil exportou US$ 2,7 bilhões ao Reino Unido. No mesmo período, o Reino Unido vendeu US$ 2,17 bilhões ao Brasil. Os produtos mais vendidos pelo Brasil foram: ouro em formas semimanufaturadas, para uso não monetário (26%), silício (5,1%) e celulose (4,8%). Já os produtos mais vendidos pelo Reino Unido são: tubos flexíveis de ferro ou aço (9,9%), medicamentos para medicina humana e veterinária (8,8%) e demais produtos manufaturados (8,5%). Os dados são do Ministério da Economia do Brasil. 

    "É evidente que haverá perdas de ambos os lados. Não há como se estabelecer uma relação de manutenção desses valores em uma situação de desligamento de um membro de um organismo multilateral", diz o professor de Relações Comerciais Internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie Francisco Américo Cassano.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Cassano ressalta que apesar do impacto inicial e da "instabilidade" do mercado internacional no momento, há espaço para o aumento das exportações, principalmente no campo das commodities. 

    O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) também prevê um cenário otimista para as commodities.

    "É um mercado que o Brasil tem muito espaço para crescer e que nós, hoje, não vou dizer que deixamos de lado, mas ficamos muito mais preocupado com os Estados Unidos e a China, por conta das exportações de matéria prima, e nós relegamos ao segundo plano a União Europeia", diz José Augusto de Castro à Sputnik Brasil.

    O Brexit acontecerá no primeiro dia de fevereiro de 2020, após anos de negociação e disputa para definir os seus termos. 

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    União Europeia, Brasil, Reino Unido, Brexit
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