12:12 09 Agosto 2020
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    Ao analisar o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani como um episódio de combate ao terrorismo, o Brasil foi mais longe do que outros aliados de Washington. A avaliação é do professor de relações internacionais Paulo Velasco.

    Em nota após a morte do general em um ataque de drone no Aeroporto Internacional de Bagdá, o Ministério das Relações Exteriores disse que "o Governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo" e pediu "unidade de todas as nações contra o terrorismo".

    "O Brasil está igualmente pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento", disse o Itamaraty. 

    A postura contrasta até mesmo com a posição da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), entidade que conta com contribuição vital dos Estados Unidos. O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, reconheceu que o Irã não deve ser uma potência nuclear, mas também pediu "contenção".

    "A nota surpreende um pouco. O Brasil associa a ação norte-americana ao combate ao terrorismo e indica, de certa forma, que o Brasil entende, ainda que indiretamente, que a Guarda Revolucionária do Irã seria também um grupo terrorista, fugindo um pouco da tradição brasileira de seguir os parâmetros da ONU", diz Velasco, professor de relações internacionais da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), em entrevista à Sputnik Brasil.

    O professor da UERJ avalia que o Brasil adota uma "posição central em um tema que não deveria" e que essa situação coloca o país em um quadro de "vulnerabilidade". Ele também relembra o episódio recente em que a Petrobras se recusou a reabastecer dois navios iranianos que estavam em portos brasileiros. 

    Velasco diz que a "postura clara ao lado dos Estados Unidos" foi evitada até mesmo por aliados e membros da OTAN, que foram mais "prudentes". 

    O jornalista Jamil Chade publicou que a nota do Itamaraty foi duramente criticada até mesmo dentro da própria instituição por diplomatas que não quiseram se identificar com medo de alguma represália. Chade também apurou que os Estados Unidos pretende utilizar um encontro previsto para os dias 5 e 6 de fevereiro no Brasil, e que tem na agenda a discussão a situação no Oriente Médio, para cobrar o Brasil por alinhamento na relação com Teerã. 

    "É claro que esse acerto já era anterior, mas a manutenção dessa reunião em território brasileiro agora, nesse contexto depois da morte desse importante general iraniano, acaba colocando o Brasil em uma posição delicada."

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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