09:23 23 Janeiro 2020
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    O orçamento de Defesa para 2020 coordenado no Congresso dos Estados Unidos está avaliado no valor recorde de US$ 738 bilhões (R$ 3 trilhões) – 22 bilhões (R$ 90 bilhões) a mais que as despesas militares de 2019.

    Para o colunista da Sputnik Andrei Kots, entre os planos americanos para gastos em Defesa está a contenção da Rússia e China, assistência militar à Ucrânia, expansão da presença na Europa e compra de novos equipamentos militares.

    'Contratempos para o Pentágono'

    Após ser votado e aprovado no Congresso, o projeto de orçamento será apresentado ao presidente norte-americano Donald Trump para assinatura.

    Em particular, propõe-se aumentar as despesas com a luta contra a concorrência e as "ameaças" da Rússia e da China. Além disso, os americanos tencionam gastar dinheiro em sanções contra os gasodutos Nord Stream 2 (Corrente do Norte 2) e TurkStream (Corrente Turca).

    "O Pentágono nunca pagou por guerras comerciais […] Quanto às iniciativas para combater a concorrência e as ameaças da Rússia e da China, deve entender-se que o nosso país estabelece hoje certos vetores para o desenvolvimento de equipamento militar. Os EUA não gostam muito disso: sua vantagem competitiva está se perdendo. Washington sabe que 2019 foi um ano de contratempos para o Pentágono. Por exemplo, Ancara, contrariamente aos desejos dos EUA, comprou ao nosso país os sistemas de mísseis antiaéreos S-400", disse o especialista militar russo Sergei Sudakov.

    O especialista acredita que 2020 será o ano de ataques de informação à Defesa russa por parte dos americanos; as relações entre os dois países continuarão se deteriorando.

    Superioridade militar

    Além disso, propõe-se aumentar o financiamento da chamada "Iniciativa Europeia de Defesa" em US$ 734 milhões, prevista para melhorar as infraestruturas militares nos países orientais da OTAN, bem como efetuar grandes manobras.

    Segundo relatos da mídia, os maiores exercícios da OTAN ocorrerão em território da Polônia e dos Estados bálticos, com a Alemanha se tornando o centro de logística. No entanto, nem todos os políticos alemães aprovam estes planos.

    O professor Sudakov também recordou que Washington neste ano criou forças aeroespaciais, e que provavelmente os americanos se retirarão em breve do tratado de não proliferação de armas no espaço e gastarão muito dinheiro em 2020 para criar uma plataforma de colocação de armas em órbita.  

    "Os EUA estão apostando na superioridade militar, alocando montantes recorde de dinheiro para o desenvolvimento de todos os componentes das forças armadas através da produção e compra de novas armas […] O fator-chave aqui é manter uma linha agressiva. Nessas circunstâncias, é extremamente importante para a Rússia manter a paridade sem se envolver na corrida armamentista, mas com a capacidade de enfrentar qualquer ameaça representada pelos programas militares dos EUA", opinou o analista militar russo Igor Korotchenko.

    Caças norte-americanos F-35
    © AP Photo / Petros Karadjias
    Caças norte-americanos F-35

    Segundo o analista, é extremamente importante que a Rússia desenvolva duas áreas: manutenção e aperfeiçoamento das suas forças nucleares estratégicas e criação de sistemas de defesa aeroespacial confiáveis.

    Ancara sem F-35

    O projeto de orçamento inclui igualmente uma ajuda militar milionária para a Ucrânia, com a possibilidade de envio de armas letais a Kiev, principalmente mísseis de cruzeiro e mísseis terrestres antinavio.

    Outro ponto no plano de orçamento é a decisão do Congresso de proibir a entrega para a Turquia de caças americanos F-35. Frente a isso, Ancara relatou repetidamente que está considerando a possibilidade de comprar caças russos Su-35 e Su-57.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    equipamentos militares, F-35, China, Rússia, Departamento de Defesa dos EUA, orçamento militar
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