22:29 28 Setembro 2020
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    A China começou a construir seu sétimo porta-aviões. Tem um operando (o Liaoning, ex-Varyag da era soviética), dois em período de testes e mais três em seus estaleiros, revela porta de notícias Military Watch Review.

    Dois anos atrás, a Marinha chinesa estimava que em trinta anos teria seis grupos de porta-aviões em operação. Parece evidente que este processo se acelerou.

    Ainda que já se houvesse mencionado na imprensa especializada chinesa a construção de um sétimo porta-aviões, agora se confirma que sua construção começou e que o objetivo consiste em ter uma frota de sete embarcações antes de 2025.

    Especula-se que o sétimo seria de propulsão nuclear, mas a opção foi de seguir com a propulsão convencional, já que apresenta custos de produção e manutenção mais baixos. Segundo a publicação especializada em assuntos militares, à medida que o objetivo estratégico da China consiste na proteção de suas costas e águas disputadas por seus vizinhos, os porta-aviões Type Classe 002 (convencionais) "são mais que suficientes e não parece existir nenhuma necessidade de embarcações de propulsão nuclear".

    Porta-aviões chinês Liaoning realizando exercícios no mar do Sul da China acompanhado por fragatas e submarinos (foto de arquivo)
    © AP Photo / Li Gang/Xinhua
    Porta-aviões chinês Liaoning realizando exercícios no mar do Sul da China acompanhado por fragatas e submarinos (foto de arquivo)

    O Type 002 da Marinha chinesa pesa aproximadamente 85 mil toneladas, mais que o dobro que o Liaoning, do Type 001, e conta com o sistema de catapulta eletromagnética, que é comparável com os mais avançados dos Estados Unidos já que permite a operação de caças mais pesados e com maior quantidade de combustível.

    O aspecto que mais chama atenção é a velocidade com que a China constrói sua frota de guerra. É evidente que seus estaleiros mostram tanto eficácia e pontualidade como capacidade de construção massiva. Não existem precedentes em tempos de paz dessa velocidade na construção de porta-aviões. A primeira embarcação zarpou em 2012; a segunda em 2018. Até 2025 haverá sete.

    Navio da Marinha chinesa Qiandaohu e fragata Yiyang
    © AFP 2020 / Adam Warzawa
    Navio da Marinha chinesa Qiandaohu e fragata Yiyang

    Em paralelo, os estaleiros chineses começaram a construção de três embarcações de assalto anfíbias de quarenta mil toneladas, do mesmo tamanho que o francês Charles de Gaulle. De forma simultânea, está sendo desenvolvida uma nova classe de destróieres, o Type 005, capaz de "conquistar o domínio no mar do Sul da China, onde existe uma forte disputa com os Estados Unidos", em uma região vital para o crescimento do dragão.

    O primeiro destróier do tipo foi lançado em junho de 2017 em Xangai. Em 2018, a China anunciou que já havia começado a construção da sexta embarcação desta classe, considerada líder mundial, e se espera que em poucos anos sejam oito a acompanhar os porta-aviões.

    Outro lado do oceano

    O ritmo frenético da indústria naval chinesa contrasta com a mediocridade da norte-americana. O Pentágono tem dez porta-aviões da classe Nimitz, que começaram a ser construídos em 1975, e um da mais moderna classe Gerald Ford, todos de propulsão nuclear e catapultas eletromagnéticas. Porém, ambas as classes tiveram problemas de manutenção (no caso da mais antiga) ou dificuldades de funcionamento, como ocorre com a mais moderna.

    "De onze porta-aviões, seis estão atualmente em processo de concerto e manutenção e não estão disponíveis para operações de combate".

    O mais grave são os atrasos dos estaleiros, o que se soma ao elevado custo de manutenção (não menos que um milhão de dólares [R$4,12] diários para cada porta-aviões), o que fez com que a frota destas embarcações gigantes entrasse em uma situação crítica.

    De 290 navios, há dezenove que não estão em operação. "Uma das razões dos atrasos é o envelhecimento e desatualização da infraestrutura dos estaleiros de todo o país", foi referido nos debates de uma comissão do Senado norte-americano. Para se modernizar, seria necessário um investimento superior a US$ 21 bilhões (R$ 86,6 bilhões), cifra que a economia dos Estados Unidos parece não estar em condições de aportar.

    Entre os senadores surgiu a dúvida e a preocupação sobre a capacidade da Marinha norte-americana de manter uma frota de 355 embarcações (objetivo previsto para 2034), quando já agora não é capaz de atender uma quantidade muito inferior.

    A China tomou decisões pragmáticas e inteligentes para defender seus mares, por onde chegaram desde o século XIX as mais devastadoras invasões. A primeira é, como se comentou acima, optar por mais porta-aviões ainda que menos sofisticados, o que permitiria ter sete "grupos de ataque" na década de 2020.

    A segunda, é ter "grupos de ataque com porta-aviões medíocres mas excelente acompanhamento" (em referência a navios como os destróieres Typo 005). Desse modo, "tem maior capacidade de prevalecer que um grupo de ataque com excelente porta-aviões, mas destróieres medíocres, já que os navios de escolta têm vantagens o suficiente para neutralizar tanto a força aérea inimiga como outras embarcações e submarinos", conforme publicado pela Military Watch Review.

    Em todo caso, podemos dizer que não são as armas que vencem no campo de batalha, mas sim as indústrias pujantes e cada vez mais sofisticadas, conduzidas por povos dispostos a dar tudo para se defender de inimigos poderosos. As guerras sempre foram assim e não parece que as tecnologias mais avançadas possam modificar este fato.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Estados Unidos, porta-aviões, Marinha chinesa
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