10:54 07 Dezembro 2019
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    Acampamento montado por ativistas que fazem campanha contra o aborto na frente do Hospital Pérola Byington, no centro de São Paulo (SP), nesta sexta-feira (25). Vítimas de abuso sexual atendidas pelo hospital se sentem constrangida pela abordagem do grupo.Willian Moreira/Futura Press/Folhapress)

    Liderada pelo PSL, Frente Parlamentar Contra o Aborto reúne 205 congressistas

    © Folhapress / Willian Moreira / Futura Press
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    Apesar da interrupção voluntária da gravidez já ser proibida no Brasil, a Frente Parlamentar Mista contra o Aborto e em Defesa da Vida reúne mais de um terço dos deputados federais e 11 senadores.

    A iniciativa é coordenada pela deputada federal Chris Tonietto (PSL-RJ) e reinaugura uma tradição iniciada em 2005, quando pela primeira vez os congressistas se organizaram em uma frente parlamentar contra o aborto. 

    A legislação no Brasil veda a interrupção da gravidez e a permite em apenas três casos: estupro, quando há risco de vida para a mãe e em casos de feto anencefálico.

    "Quando você faz esse tipo de Frente, você também atua no campo moral, para criar um valor social de mais julgamento, de penalização e discriminação de mulheres que praticam o aborto, inclusive nas condições permitidas na lei", diz à Sputnik Brasil a professora do curso de obstetrícia da Universidade de São Paulo (USP) Elizabete Franco Cruz. 

    De acordo com a Pesquisa Nacional do Aborto, uma a cada cinco mulheres brasileiras realizará um aborto até o fim da vida. Cruz afirma que, apesar da proibição do aborto, ele é uma realidade e quem tem recursos financeiros pode arcar com um tratamento adequado, situação que não se repete com quem não tem dinheiro.

    "Estudos mostram que a proibição do aborto gera uma maior mortalidade materna, porque na medida que o aborto não é oficializado, além de situações de desgaste emocional e físico da prática de algo que é considerado pecaminoso e proibido, isso ainda acarreta danos à saúde porque as mulheres farão aborto em condições não adequadas", ressalta a professora da USP. 

    A presidente do Movimento Brasil Sem Aborto, Lenise Garcia, vê com bons olhos a Frente Parlamentar e enxerga a iniciativa da deputada federal Chris Tonietto como uma medida para resistir à tentativas de mudar a legislação sobre o tema. 

    Garcia não acredita que a proibição do aborto seja uma ferramenta de dominação sobre os corpos das mulheres: "A criança não faz parte do corpo das mulheres, ela está simplesmente alojada nele por um período. Ela tem pai e mãe, não é parte do corpo da mãe, senão não sobraria nada do pai para ela."

    "Todo mundo tem o direito de não engravidar, mas a partir do momento que a pessoa gerou uma criança, então os direitos da criança prevalecem", diz a presidente do Movimento do Brasil Sem Aborto à Sputnik. 

    Já a professora Elizabete Franco Cruz enxerga a proibição do aborto como uma limitação na autonomia feminina.

    "É uma questão histórica de dominação dos corpos das mulheres. Veja, a via de parto é decidida por um profissional, a mulher não tem autonomia, ela não tem nem autonomia para poder decidir [ter um filho] ou não. O cruel é que essa dominação sobre os corpos das mulheres impede uma autonomia sobre algo que vai ter consequência na vida das mulheres."

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    PSL, Brasil, aborto
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