01:58 10 Dezembro 2019
Ouvir Rádio
    Protestos em La Paz em 10/11/2019

    Bolívia vive hoje golpe de Estado semelhante ao ocorrido no Chile em 1973, segundo analista

    © AP Photo / Juan Karita
    Análise
    URL curta
    7143
    Nos siga no

    Especialista alerta que a vida de Evo Morales "corre perigo" e que por trás de sua renúncia forçada está a "mão" dos EUA.

    A renúncia forçada do presidente da Bolívia, Evo Morales, é comparável a um golpe de Estado ocorrido há menos de meio século em outro país da região, afirma Julio Gambia, presidente da Sociedade Latino-Americana de Economia e Pensamento Crítico (SEPLA).

    "Temos que recuperar a memória histórica e pensar em 1973, no golpe de Estado no Chile que agora está sendo desafiado pela mobilização popular", destacou Gambina em entrevista ao canal RT.

    O analista se refere às décadas que o povo chileno sofreu com as medidas do ditador Augusto Pinochet, estipuladas na Carta Magna do Chile e que hoje são combatidas pelo povo mediante protestos massivos por todo o país.

    Neste domingo (9), Evo Morales anunciou a renúncia do seu posto na presidência da Bolívia. A renúncia ocorre após auditoria da OEA solicitando a celebração de novas eleições no país vizinho, que vive momentos de forte polarização política diante de massivos protestos em La Paz nas últimas semanas.

    Diversos líderes latino-americanos manifestaram solidariedade pelo ex-mandatário, como o presidente mexicano López Obrador, oferecendo-o asilo política em sua embaixada no país.

    Organização dos Estados Americanos
    © flickr.com / Chancelaria do Equador
    Organização dos Estados Americanos

    'Enorme revanchismo'

    Gambia indica que é neste marco que se deve analisar o porquê de "tanta raiva" contra o governo da Bolívia."O povo chileno se mobilizou contra a constituição de Pinochet por 30 anos e a hegemonia neoliberal está sendo questionada", acentua o especialista.

    O presidente da SEPLA reitera que na Bolívia se desencadeou um "enorme revanchismo", que nas ruas se nota o "medo", mas destaca que, ante o assédio dessa hegemonia contra ele, Evo "faz bem ao reivindicar seu caráter de indígena".

    "Ele está identificando claramente que é a intolerância do regime do lucro [o capitalismo] que não permite a continuidade do processo constitucional na Bolívia" diz Gambina a respeito das explicações de Morales sobre sua renúncia.

    A 'mão' dos EUA

    O presidente da SEPLA considera que qualquer governo da região, seja qual for a sua orientação, deveria condenar o golpe de Estado na Bolívia, que passou das ameaças a uma "violência inusitada" contra a propriedade e a integridade física das autoridades.

    A vida de Evo Morales "corre perigo", observa Gambina, comentando denúncias de que foram oferecidos até 50 mil dólares aos guardas de Evo Morales para entregarem o ex-mandatário aos opositores.

    "Por trás disto – não tenho dúvidas – está a mão dos EUA", destacou o analista, precisando que a intervenção deste país tem a ver com "o financiamento de uma ação para promover esse golpe de Estado".

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Mais:

    Exército leal: por que cenário de renúncia presidencial na Bolívia não ocorreu na Venezuela?
    Forças Armadas da Bolívia pedem renúncia de Evo Morales (VÍDEO)
    Crise na Bolívia mostra necessidade de voto impresso, diz Bolsonaro
    Tags:
    Evo Morales, renúncia, Eleições na Bolívia, Bolívia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar