15:00 19 Novembro 2019
Ouvir Rádio
     Vista aérea de queimada na Floresta Amazônia, vista à partir da cidade de Porto Velho, capital de Rondônia.

    Tecnologia de combate a incêndios florestais faz Brasil sede de evento mundial, diz biólogo

    ©André Cran/Folhapress
    Análise
    URL curta
    0 41
    Nos siga no

    O Brasil foi escolhido como sede de um evento internacional sobre incêndios florestais. Para comentar o assunto, a Sputnik Brasil ouviu o biólogo do Ibama, Gabriel Zacharias, chefe do Centro Especializado Prevfogo.

    A 7.ª Conferência Internacional de Incêndios Florestais Wildfire 2019 acontece em Campo Grande-MS entre os dias 28 de outubro e 4 de novembro. O evento é realizado sob a temática "Os benefícios ecológicos e ambientais do fogo em áreas dependentes ou tolerantes e seu uso controlado para fins agrossilvipastoris".

    A conferência teve início em 1989 após uma série de incêndios florestais pelo mundo e teve novas edições em 1997, 2003, 2007, 2011 e 2015. Essa será a primeira vez que o evento será realizado na América Latina.

    Para o biólogo Gabriel Zacharias, chefe do Centro Especializado Prevfogo, do Ibama, a escolha da sede neste ano tem a ver com a experiência brasileira no combate a incêndios florestais.

    "O Brasil foi escolhido para sediar devido ao trabalho que já vem sendo realizado com a questão dos incêndios florestais, os avanços tecnológicos que tem obtido e também para que a gente pudesse buscar novas tecnologias, novos conhecimentos e novas informações", afirma o biólogo em entrevista à Sputnik Brasil.

    Crise na Amazônia não influenciou escolha do Brasil como sede

    Apesar das tecnologias desenvolvidas pelo país na área, o Brasil vive uma crise relacionada a incêndios na Amazônia que gerou comoção internacional.

    Somente no Mato Grosso do Sul, escolhido para sediar o evento, houve um aumento de queimadas de 278% em 2019, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPe).

    © AP Photo / Arisson Marinho
    Ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles

    Zacharias porém, ressalta que a crise atual não está relacionada à escolha do Brasil como sede do evento.

    "Essa conferência já vem sendo organizada desde 2015. No final de cada edição é apresentada a edição futura, então o Brasil foi selecionada e apresentado ao longo do ano de 2015", esclarece.

    O biólogo acrescenta ainda que a participação do Brasil no evento é uma iniciativa governamental sob a liderança do Ibama.

    "Essas trocas de experiência e essas trocas de conhecimentos visam atender e responder que iniciativas podem ser tomadas para a que a gente melhore os trabalhos de prevenção de combate nos diferente biomas brasileiros", aponta.

    Zacharias ressalta que o Brasil tem apresentado avanços no setor, como tecnologias contra incêndios próximos a áreas de transmissão de energia através do monitoramento via satélite.

    "A gente tem apresentado também iniciativas como projetos de pesquisa para o uso do fogo como uma ferramenta de controle de grandes incêndios florestais e o trabalho como comunidades tradicionais, em especial as comunidades indígenas", acrescenta.

    Redução inédita de incêndios

    O biólogo explica que o organismo em que trabalha, o PrevFogo, não passou por contingenciamento de recursos neste ano e conseguiu realizar as atividades de acordo com seu planejamento.

    Zacharias avalia que a crise com os incêndios florestais na Amazônia apontou uma atenção especial no ano de 2019 resultou em uma redução inédita de incêndios entre agosto e setembro, de 16%.

    Queimada é vista em área de plantação próximo à praia de Lábrea (AM), no início da tarde desta sexta-feira, 06/09/2019
    Queimada é vista em área de plantação próximo à praia de Lábrea (AM), no início da tarde desta sexta-feira, 06/09/2019
    "Dentro do processo de monitoramento de satélite que nós temos, principalmente desde 2002, nunca houve essa redução ou uma redução tão significativa como os 16% de redução de agosto para setembro que nós conseguimos nesse ano", explica.

    O trabalho de prevenção a incêndios, aponta o biólogo, dura o ano todo, mas se intensifica nas época de maior risco de incêndio. Segundo ele, 90% das queimadas no Brasil resultam de ação humana.

    "A maioria dos incêndios florestais brasileiros são causas humanas, o que nos diz que poderiam ter sido evitados e é nisso que a gente trabalha", aponta.

    Conferência traz experiência mundial no combate aos incêndios

    Apesar de adotar o Brasil como sede, a 7.ª Conferência Internacional de Incêndios Florestais Wildfire 2019 traz diferentes tecnologias usadas mundo afora no combate às queimadas. A discussão dos diferentes aspectos dessa área de interesse se espalha por mais de 300 apresentações.

    "A conferência traz o que tem funcionado em diferentes regiões do mundo. Então a gente tem discutido muito o que tem acontecido nas savanas, o que tem acontecido com as comunidades das savanas africanas, com as comunidades aborígenes da Austrália, o desenvolvimento das tecnologias que estão sendo desenvolvidas na Ásia, na Europa, os protocolos norte-americanos", aponta.
    Prédios do Ibama e do ICMBio são incendiados após operação contra garimpo em Humaitá (AM)
    Marcos Freire/Fotos Públicas
    Prédios do Ibama e do ICMBio são incendiados após operação contra garimpo em Humaitá (AM)

    Através das discussões, será formulado um documento para delinear as principais questões a serem desenvolvidas nos próximos anos pelos pesquisadores.

    O evento, porém, não conta com a participação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que será representado pelo presidente do Ibama, Eduardo Bim.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Mais:

    Senadora atribui aumento das queimadas na Amazônia às declarações de Bolsonaro
    'Estamos muito perto de um momento de colapso', alerta agrônomo sobre incêndios na Amazônia
    Desmatamento na Amazônia cresce 92,7% de janeiro a setembro
    GLO na Amazônia termina: analistas fazem balanço da atuação dos militares
    Após tratar eleição como 'milagre', Bolsonaro ataca críticos: 'Amazônia nos pertence'
    Tags:
    Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ibama, Ricardo Salles, Ministério do Meio Ambiente, Amazônia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar