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    Jair Bolsonaro recebe de Donald Trump camisa da seleção norte-americana de futebol, Casa Branca, Washington, 19 de março de 2019

    Comércio entre Brasil e EUA cai em 2019: especialista diz que 'relações pessoais' não bastam

    © AP Photo / Evan Vucci
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    Apesar dos afagos públicos trocados entre Jair Bolsonaro e Donald Trump, o comércio entre Brasil e Estados Unidos recuou nos oito primeiros meses de 2019 na comparação com mesmo período de 2017.

    Entre janeiro e agosto de 2019, os investimentos anunciados dos Estados Unidos no Brasil somaram US$ 2,2 bilhões. Já em 2017, a cifra correspondia a US$ 2,9 bilhões.

    Os dados são da FDI Markets e foram compilados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgados pela BBC Brasil. 

    A publicação também destaca que 2018 os Estados Unidos anunciaram investimento de US$ 1,3 bilhão no Brasil, mas ressalta que o número foi puxado para baixo pela incerteza do processo eleitoral. Já de janeiro a agosto de 2016, foram anunciados investimentos estadunidenses de US$ 2 bilhões no Brasil.

    Empossado em janeiro, Bolsonaro tem apostado na relação com os Estados Unidos. O presidente brasileiro visitou a Casa Branca em março e disse ser "a primeira vez em muito tempo" que um "presidente brasileiro que não é anti-americano chega a Washington". 

    Bolsonaro também ressaltou a proximidade com Trump para defender seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, ideia que foi posteriormente abandonada. 

    A economista e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Maria Beatriz David diz que nenhum estudioso acreditava que "simplesmente pelos presidentes trocarem afagos", ou pelo alinhamento ideológico entre os dois países, as relações comerciais entre Brasília e Washington iriam aumentar.

    "Essa visão de que relações pessoais estimulam comércio e investimento é uma visão meio pueril das relações internacionais, elas são muito mais complexas do que isso. Embaixadores e diplomatas experientes falavam que a relação com os Estados Unidos se dá, como qualquer outra relação comercial e diplomática, por via do interesse de cada país, e de sua relação geopolítica também", diz David à Sputnik Brasil. 

    Ainda de acordo com a professora da UERJ, o governo Bolsonaro "vendeu muita ilusão" e, até o momento, não conseguiu entregar melhoras concretas. 

    Pequim e o 5G

    A companhia chinesa Huawei tem tecnologia de redes 5G de ponta e investe pesado no setor. Com a promessa de ser um elemento chave para a economia do futuro, as redes 5G deverão ter presença marcada nas cidades modernas, em usos diversos como inteligência artificial e carros autônomos. 

    Diante da possibilidade de perder a liderança tecnológica mundial, os Estados Unidos têm acusado a Huawei de espionagem e pressionam seus aliados para que não façam negócios com a gigante chinesa.

    No Brasil, a Huwaei tem um projeto-piloto de rede 5G na cidade de Búzios, no Rio de Janeiro, e também foi apontada como uma possível compradora da estatal de telefonia Oi, que atualmente está em recuperação judicial. A empresa chinesa, contudo, posteriormente negou ter interesse em comprar a Oi em comunicado obtido pela agência de notícias Reuters.

    A economista Maria Beatriz David avalia que o Brasil também sofrerá pressão para não adotar tecnologia chinesa em suas futuras redes de 5G, assim como todos os outros países.

    "Eles [Estados Unidos] ficaram atrasados tecnologicamente, estão aquém da China neste aspecto e eles vão brigar para, pelo menos, retardar isso um pouco e tentar investir agora para recuperar o tempo perdido", diz a professora da UERJ.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Donald Trump, Jair Bolsonaro, Estados Unidos, Brasil
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