13:40 20 Agosto 2019
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    Lançamento de míssil balístico intercontinental, EUA

    Coreia do Sul e Japão não devem aceitar mísseis de médio alcance dos EUA, diz especialista

    © REUTERS / Lucy Nicholson
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    Mísseis de médio alcance deverão desestabilizar a Ásia, enquanto o país que os receber poderá se tornar alvo de desprezo. Tal armamento seria uma tentativa dos EUA de alterar a balança de poder na região.

    Em entrevista à Sputnik China, Zhang Jiadong, especialista da Universidade de Fudan, China, ressaltou a importância dos aliados dos EUA, enquanto Washington tenta pôr o gigante asiático em desvantagem na balança do poder.

    O desejo americano

    No último sábado (3), o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, disse à imprensa que deseja ver mísseis de médio alcance dos EUA na Ásia "o tanto quanto antes", informou o JapanTimes. A afirmação foi proferida durante mais um episódio das tensões entre os EUA e a China.

    Perguntado sobre quando isso seria possível, Esper disse que "tais assuntos você precisa discutir com seus aliados", evidenciando a importância dos aliados de Washington na região.

    Para especialistas, os aliados mais prováveis para receber a proposta dos EUA seriam a Austrália, o Japão e a Coreia do Sul. No entanto, a ministra da Defesa da Austrália, Linda Reynolds, descartou qualquer possibilidade de implantação de mísseis dos EUA no país.

    Míssil de médio alcance norte-americano, Pershing II
    © flickr.com / Daniel DeCristo
    Míssil de médio alcance norte-americano, Pershing II

    A proposta americana seria um tanto indesejável para Canberra. Embora o país seja um grande aliado dos EUA na área de defesa, por outro lado, ele tem a China como um grande parceiro comercial.

    Para Jiadong, a recusa australiana não encerra a questão. A região do Pacífico é rica em territórios que poderiam abrigar os mísseis dos EUA.

    "Se a Austrália não está de acordo, será difícil falar sobre a posição dos pequenos Estados insulares do Pacífico [...] Eles (EUA) poderiam colocar seus mísseis em Guam, que está sob sua soberania, mas a Coreia do Sul e o Japão não devem aceitar mísseis de médio alcance em seu território", disse Jiadong.

    Embora o Japão e a Coreia do Sul tenham tropas americanas em seu território, a instalação de mísseis causaria desconforto por parte da China e afetaria o equilíbrio de forças na região.

    "Se os EUA querem criar um sistema de defesa antimíssil, o Japão, a Coreia do Sul e a Austrália poderiam desejar se unir a eles [...] Porém, os mísseis de médio alcance são um armamento de ataque e não possuem caráter defensivo", disse o especialista.

    Militares norte-americanos junto a caças F-22A Raptor da Força Aérea dos EUA na base militar estadunidense, na ilha de Okinawa, Japão
    © AFP 2019 / Yoshikazu TSUNO
    Militares norte-americanos junto a caças F-22A Raptor da Força Aérea dos EUA na base militar estadunidense, na ilha de Okinawa, Japão

    Região desestabilizada

    Além disso, a presença de tais mísseis no Japão, Coreia do Sul e Austrália poderia causar o desprezo por parte de outros países.

    "Se esses países aceitarem tais mísseis, eles se tornariam uma cabeça de ponte dos EUA. Isso não lhes traria nenhum benefício, além de torná-los mais ligados à máquina de guerra americana. Eles se seriam alvo de desprezo dos outros países, uma vez que ao se unirem aos planos de Washington iriam desestabilizar a região", acrescentou Jiadong.

    Por último, o especialista mostra que se os três aliados de Washington aceitarem os mísseis americanos, eles cairiam em contradição com suas críticas ao programa nuclear norte-coreano.

    "Se eles receberem os mísseis dos EUA em seu território, logo suas ações passadas contra o programa nuclear da Coreia do Norte perderão todo o sentido. Como poderiam eles julgar a Coreia do Norte (e seu programa nuclear) e ao mesmo tempo apoiar os EUA (e seus mísseis de médio alcance)?", comentou o especialista.

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    Tags:
    China, EUA, míssil
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